Onda de protestos atingiu pelo menos 353 municípios no País

Por Agência Estado |

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Desde 6 de junho, cidades como Belém, no Pará, até Santana do Livramento, no RS, se manifestaram

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No dia 6 de junho, os jornais de São Paulo ainda repercutiam mortes violentas em tentativas de assalto quando uma primeira manifestação de 150 jovens aconteceu no centro da cidade, na hora do rush, rumo à Avenida Paulista.

Era o primeiro protesto do Movimento Passe Livre (MPL), que nos dias seguintes atrairia os holofotes da imprensa e se espalharia como "epidemia" pelo Brasil, contagiando rapidamente a população de diferentes cidades.

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Marcus Vieira/O Tempo/Futura Press
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Galeria de fotos: Veja imagens dos protestos no Brasil

Até quinta-feira, a população saiu às ruas com cartazes para protestar em pelo menos 353 municípios, conforme levantamento feito pelo Estado em eventos no Facebook e em menções na imprensa regional. Ao todo, houve pelo menos 490 protestos em três semanas (mais de 22 por dia). Já a Confederação Nacional dos Municípios (CNM), em pesquisa feita nas prefeituras, identificou protestos em 438 cidades.

O papel das redes sociais (Twitter e Facebook) foi decisivo para a articulação dos discursos e para divulgar hora e local dos protestos. Mas a epidemia só ganhou força depois do dia 17, ao monopolizar o noticiário das grandes redes de televisão.

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"Fazendo um paralelo com o casamento, esses eventos não têm causa única. O casal não termina porque a toalha foi deixada em cima da cama. Essa toalha pode ser a gota d'água de brigas antigas. O mesmo ocorreu nos protestos, que explodiram por uma longa história de crises enfrentadas em silêncio", diz o professor de comunicação digital Luli Radfahrer (ECA-USP).

Avanço

Em São Paulo, os primeiros três protestos aconteceram em um intervalo de seis dias e não ultrapassaram os 10 mil manifestantes. Mesmo assim, já eram a principal história dos jornais. No dia 13 de junho, outras dez cidades aderiram - capitais ou cidades médias, como Natal, Porto Alegre, Rio, Santos e Sorocaba. No dia 17, quando São Paulo parou, com 200 mil pessoas nas ruas, já eram 21 protestando.

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O auge foi no dia 20, quando 150 municípios tiveram protestos. Pelo menos 1 milhão de brasileiros foram às passeatas, segundo dados das Polícias Militares de 75 cidades. Desde Belém, no Pará, até Santana do Livramento, na fronteira com o Uruguai. A menor cidade a se rebelar foi Figueirão (MS), que tem 2,9 mil habitantes.

O mote do transporte público foi o mais popular principalmente nas cidades que têm rede de ônibus. Mas os protestos também ganharam conotações regionais, especialmente nas cidades menores. Picos (PI), por exemplo, atraiu manifestantes contra os pistoleiros. Coxim (MS) protestou contra os buracos nas ruas e pediu a saída do secretário de obras.

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"Foi uma revolta típica da pós-modernidade, aparentemente sem causa. Do ponto de vista político, contudo, a multiplicidade de causas tornou os protestos mais fortes justamente porque permite várias interpretações dos que vão se manifestar", diz o psicanalista Jorge Forbes.

Forbes enxerga, no entanto, um ponto em comum nas demandas. "Trata-se de uma sociedade civil renovada, mais informada e educada, que continua tendo de lidar com as instituições do século passado, anacrônicas, que não atendem mais os anseios da população."

Difícil leitura

Mesmo para aqueles que acompanham a história do movimento, a epidemia de protestos surpreendeu. O filósofo Pablo Ortellado, coautor do livro Estamos Vencendo! (Conrad), sobre os movimentos autonomistas no Brasil, ainda se esforça para entender o que aconteceu.

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Salvador: manifestantes protestaram contra o aumento no valor da tarifa do ônibus - 17/06/2013. Foto: Futura PressPorto Alegre: manifestantes protestam contra o aumento no valor da tarifa de ônibus - 17/06/2013. Foto: Futura PressBelém: cerca de 15 mil manifestantes realizaram protesto contra obras do projeto viário da cidade - 17/06/2013. Foto: Futura PressRio de Janeiro: manifestantes se reuniram no centro da cidade para protestar contra o aumento no valor da tarifa de ônibus - 17/06/2013. Foto: APCuritiba: manifestantes se reuniram contra a corrupção - 17/06/2013. Foto: Futura PressAcre: manifestantes protestaram a favor da polícia - 23/06/2013. Foto: BBC BrasilBrasília: manifestantes evangélicos se reuniram para protestar contra os casamentos homossexuais - 05/06/2013. Foto: Marcel Frota/iG BrasíliaBrasília: indígenas se reuniram em frente ao Palácio do Planalto para protestarem contra a mudança no processo de demarcação de terras - 18/04/2013. Foto: Agência BrasilPorto Alegre: manifestantes protestaram contra o aumento de 7% na tarifa de ônibus aprovado pela prefeitura - 27/03/2013. Foto: Diogo Sallaberry/LLPhoto Press/Futura PressRio de Janeiro: manifestantes se reuniram para protestar contra a indicação do pastor Marco Feliciano para a presidência da Comissão de Direitos Humanos - 16/03/2013. Foto: Ulisses Dumas/BA Press/Futura PressBahia: manifestantes em favor do regime cubano protestam contra blogueira dissidente Yoani Sánchez - 19/02/2013. Foto: Futura PressBrasília: manifestantes se reuniram em frente ao Congresso Nacional para pedir aos senadores que escolham um presidente ficha limpa para dirigir o Senado - 30/01/2013. Foto: Futura Press

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"A resistência e a desobediência civil já eram discutidas desde Seattle, em 1999, nos movimentos antiglobalização. A novidade foi o Passe Livre, que passou a ter uma pauta clara, com um grupo de referência para negociar. O governo foi acuado pelas passeatas e mudou sua decisão."

As manifestações continuaram em menor quantidade depois da redução das tarifas, apesar de muitos protestos contra a Copa das Confederações. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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