Empresário contradiz na CPI governador de Goiás sobre compra de imóvel

Walter Santiago diz que pagou em dinheiro a casa de Perillo, onde Cachoeira foi preso, e nega ter usado cheques para o negócio

iG São Paulo | - Atualizada às

Em depoimento nesta terça-feira na CPI do Cachoeira , o proprietário da Faculdade Padrão, de Goiânia (GO), Walter Santiago, deu uma nova versão para a compra da casa do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB). A versão é diferente da manifestada pelo tucano.

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Agência Brasil
Dono de faculdade em Goiânia, Walter Santiago deu uma nova versão para a compra da casa de Perillo


De acordo com Santiago, R$ 1,4 milhão da transação do imóvel foi pago em pacotes de dinheiro a Lúcio Fiúza, assessor de Perillo, e a Wladimir Garcêz, então lobista da construtora Delta. O tucano, contudo, já disse que recebeu três cheques pela venda da casa, sendo dois de R$ 500 mil e um de R$ 400 mil. "Desconheço os cheques. Paguei em dinheiro. Se recebeu cheques, não foi de mim", disse Walter Paulo hoje.

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Santiago disse que a casa foi paga exclusivamente em dinheiro, em notas de R$ 50 e R$ 100, entregues em "pacotinhos" aos dois representantes. 

Ainda sobre o dinheiro pago na casa, o senador Pedro Taques (PDT-MT) questionou o empresário sobre onde teria colocado o R$ 1,4 milhão do negócio. "Coisinha à toa. Uma caixinha carrega um milhão", respondeu. A resposta causou gargalhadas entre os parlamentares da CPI.

Santiago disse também que o imóvel foi adquirido por ele em nome da empresa Mestra, de propriedade do engenheiro Écio Ribeiro, e da qual é "mero administrador". A intenção era dar a casa à sua filha, assim que ela se casasse. Isso seria feito após ele quitar o valor do imóvel junto à empresa. Segundo Santiago, "a casa permaneceu em posse de Garcez, que adiou a entrega, alegando estar necessitando da mesma para uma amiga". Em seguida, ele se contradisse, e afirmou que comprara a casa para primeiro valorizar o imóvel para depois revendê-lo. 

"Eu liguei para cobrar a entrega e ele disse que entregaria em 15 de fevereiro de 2012. A pessoa que morou na casa, durante o tempo em que esteve emprestada, eu não conheço. Nunca fui nessa casa, a senhora nunca a vi. Nunca me ligou, nunca me agradeceu. Nunca vi essa senhora", disse à CPI.

Ele acrescentou que, durante todo o processo de transação do imóvel, não manteve nenhum contato com seu antigo proprietário, o governador Marconi Perillo.

Quanto a Cachoeira, o empresário diz não ter negócios relacionados ao contraventor . Ele afirmou que, em sua vida inteira, almoçou por cinco vezes com o bicheiro. 

Outro depoimento

A professora Sejana Martins foi a próxima a falar após o depoimento de Santiago, mas usou o benefício de um habeas corpus do Supremo Tribunal Federal (STF) para dar sua declaração e, em seguida, ficar em silêncio. Sejana disse que não é mais diretora da Faculdade Padrão e que seu desligamento ocorreu em 30 de agosto de 2010. “Esclareço também que não tenho conhecimento dos fatos e das pessoas investigadas nessa CPI. Saí da empresa por não ter afinidade, minha área é educacional”.

Hoje a CPI também ouviria a ex-chefe de gabinete do governador Marconi Perillo, acusada de ter trocado informações com o grupo comandado por Cachoeira. Eliane Gonçalves, no entanto, alegou crise de pressão alta e não foi à comissão. Ela já havia obtido um habeas corpus na Justiça que garantia o direito de não responder às perguntas dos deputados e senadores.

Com Valor Online

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