Manaus, Rio de Janeiro e Salvador têm as piores calçadas, diz pesquisa

Campanha "Calçadas do Brasil" analisou as condições para os pedestres em 12 capitais. Piso irregular e disputa de espaço com camelôs são problemas comuns no País

Carolina Garcia, iG São Paulo |

Entre 12 capitais brasileiras, Manaus, Rio de Janeiro e Salvador apresentam as calçadas com as piores condições para os pedestres, segundo levantamento do movimento Mobilize Brasil. O órgão, que trabalha com o conceito da mobilidade urbana sustentável, divulgou nesta quinta-feira o estudo, que foi realizado em parceria com moradores das regiões analisadas. A ação fez parte da campanha “Calçadas do Brasil”.

Divulgação
Manaus foi considerada a cidade com as piores calçadas. Pedestre é obrigado a caminhar pelas ruas

Nas 150 ruas citadas na pesquisa, todas de grande circulação e com urbanização superior a 50 anos, foram observadas e avaliadas (com notas de 0 a 10) as irregularidades do piso, largura mínima e degraus que possam dificultar a mobilidade. Além disso, perderiam pontos as ruas que apresentassem obstáculos - como postes, telefones públicos, bancas de camelôs e entulhos - diminuindo o espaço destinado ao pedestre.

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Diante disso, a capital amazonense somou as piores avaliações em seis vias e, por isso, teve a pior média geral de 3,60. O pior cenário foi visto na avenida Mario Ypiranga, que recebeu nota zero nos quesitos de asfalto irregular, espaço mínimo para os pedestres e conforto.

Júlio César Lima
Postes e piso irregular são desafios para os cadeirantes na rua Otávio Amaral, em Curitiba
Já a cidade do Rio de Janeiro garantiu o segundo lugar com uma média de 4,5. A região da Estação Central do Brasil foi considerada a pior da capital.

Com uma média geral de 4,61, a capital baiana Salvador foi classificada como a terceira cidade que mais registrou problemas de planejamento urbano. Quatro vias foram citadas como as piores do todo o estudo, com médias inferiores a 1,5. São elas: Ladeira da Fonte (0,25); rua Régis Pacheco (0,63) e avenidas Vasco da Gama (1,13) e Afrânio Peixoto (1,25). Em contrapartida, o recém-reformado calçadão da Barra recebeu avaliação máxima em todos os quesitos.

Outras importantes capitais também foram observadas e receberam melhores avaliações, como Recife (4,95), Natal (5,08), no Rio Grande do Norte, e São Paulo (6,32). Segundo o estudo, a cidade com maior destaque foi Fortaleza, com pontuação de 7,60. A melhor calçada pode ser encontrada na avenida Bezerra de Menezes - classificada com 9,13. Recentemente, o local ganhou uma ciclovia e recebeu rampas de acesso para deficientes nas esquinas.

Para o coordenador do levantamento, Marcos Souza, a campanha por melhores calçadas no País está no início e pode ganhar mais força com a ajuda popular. Mesmo com melhores posições, Souza reafirma que nenhuma das capitais analisadas pode ser considerada exemplar. “O ideal é caminhar em uma calçada como se ela não existisse, sem pensar em possíveis obstáculos. Isso ainda não experimentamos por completo em uma cidade”.

Leo Barsan
No Largo da Calçada, em Salvador, feiras e camelôs se transformam em obstáculos para o pedestre


Interatividade

Souza acredita ainda que o “fenômeno de abandono” das calçadas é recente e surgiu diante do aumento do uso dos carros nas cidades. “Não podemos deixar o poder público distorcer a função de uma cidade. Cidades são feitas para as pessoas”, defende.

Para a campanha ganhar força e “relevância diante dos órgãos públicos”, o Mobilize Brasil criou um formulário para que novos moradores avaliem as calçadas nas próprias cidades. Com os novos dados, um mapa do Brasil é atualizado com os pontos críticos enviados pelos internautas. Para colaborar, é necessário fazer um cadastro e preencher o formulário ( clique aqui ).

“A ideia é engordar o mapeamento de calçadas com problemas e encaminhar para os órgãos responsáveis. Mesmo a calçada sendo responsabilidade do proprietário, a prefeitura tem responsabilidade de fiscalizar”, concluiu Souza.

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