Campanha "Calçadas do Brasil" analisou as condições para os pedestres em 12 capitais. Piso irregular e disputa de espaço com camelôs são problemas comuns no País

Entre 12 capitais brasileiras, Manaus, Rio de Janeiro e Salvador apresentam as calçadas com as piores condições para os pedestres, segundo levantamento do movimento Mobilize Brasil. O órgão, que trabalha com o conceito da mobilidade urbana sustentável, divulgou nesta quinta-feira o estudo, que foi realizado em parceria com moradores das regiões analisadas. A ação fez parte da campanha “Calçadas do Brasil”.

Manaus foi considerada a cidade com as piores calçadas. Pedestre é obrigado a caminhar pelas ruas
Divulgação
Manaus foi considerada a cidade com as piores calçadas. Pedestre é obrigado a caminhar pelas ruas

Nas 150 ruas citadas na pesquisa, todas de grande circulação e com urbanização superior a 50 anos, foram observadas e avaliadas (com notas de 0 a 10) as irregularidades do piso, largura mínima e degraus que possam dificultar a mobilidade. Além disso, perderiam pontos as ruas que apresentassem obstáculos - como postes, telefones públicos, bancas de camelôs e entulhos - diminuindo o espaço destinado ao pedestre.

Leia também: Nova Lei da Calçada começa a valer em São Paulo

Diante disso, a capital amazonense somou as piores avaliações em seis vias e, por isso, teve a pior média geral de 3,60. O pior cenário foi visto na avenida Mario Ypiranga, que recebeu nota zero nos quesitos de asfalto irregular, espaço mínimo para os pedestres e conforto.

Postes e piso irregular são desafios para os cadeirantes na rua Otávio Amaral, em Curitiba
Júlio César Lima
Postes e piso irregular são desafios para os cadeirantes na rua Otávio Amaral, em Curitiba
Já a cidade do Rio de Janeiro garantiu o segundo lugar com uma média de 4,5. A região da Estação Central do Brasil foi considerada a pior da capital.

Com uma média geral de 4,61, a capital baiana Salvador foi classificada como a terceira cidade que mais registrou problemas de planejamento urbano. Quatro vias foram citadas como as piores do todo o estudo, com médias inferiores a 1,5. São elas: Ladeira da Fonte (0,25); rua Régis Pacheco (0,63) e avenidas Vasco da Gama (1,13) e Afrânio Peixoto (1,25). Em contrapartida, o recém-reformado calçadão da Barra recebeu avaliação máxima em todos os quesitos.

Outras importantes capitais também foram observadas e receberam melhores avaliações, como Recife (4,95), Natal (5,08), no Rio Grande do Norte, e São Paulo (6,32). Segundo o estudo, a cidade com maior destaque foi Fortaleza, com pontuação de 7,60. A melhor calçada pode ser encontrada na avenida Bezerra de Menezes - classificada com 9,13. Recentemente, o local ganhou uma ciclovia e recebeu rampas de acesso para deficientes nas esquinas.

Para o coordenador do levantamento, Marcos Souza, a campanha por melhores calçadas no País está no início e pode ganhar mais força com a ajuda popular. Mesmo com melhores posições, Souza reafirma que nenhuma das capitais analisadas pode ser considerada exemplar. “O ideal é caminhar em uma calçada como se ela não existisse, sem pensar em possíveis obstáculos. Isso ainda não experimentamos por completo em uma cidade”.

No Largo da Calçada, em Salvador, feiras e camelôs se transformam em obstáculos para o pedestre
Leo Barsan
No Largo da Calçada, em Salvador, feiras e camelôs se transformam em obstáculos para o pedestre


Interatividade

Souza acredita ainda que o “fenômeno de abandono” das calçadas é recente e surgiu diante do aumento do uso dos carros nas cidades. “Não podemos deixar o poder público distorcer a função de uma cidade. Cidades são feitas para as pessoas”, defende.

Para a campanha ganhar força e “relevância diante dos órgãos públicos”, o Mobilize Brasil criou um formulário para que novos moradores avaliem as calçadas nas próprias cidades. Com os novos dados, um mapa do Brasil é atualizado com os pontos críticos enviados pelos internautas. Para colaborar, é necessário fazer um cadastro e preencher o formulário ( clique aqui ).

“A ideia é engordar o mapeamento de calçadas com problemas e encaminhar para os órgãos responsáveis. Mesmo a calçada sendo responsabilidade do proprietário, a prefeitura tem responsabilidade de fiscalizar”, concluiu Souza.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.