Para dom Odilo, origem do novo papa é irrelevante no conclave

Por Reuters |

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Aos 63 anos, arcebispo de São Paulo é o mais jovem dos cinco brasileiros que participam da eleição para substituto de Bento 16, que renunciará em 28 de fevereiro

Reuters

O cardeal dom Odilo Scherer, arcebispo de São Paulo e um dos cinco brasileiros a participar do conclave que elegerá o novo papa, disse nesta quarta-feira (13) que o local de nascimento do novo pontífice é irrelevante. 

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"A reflexão mais importante que se fará no conclave não é se o papa vem de um lugar, ou de outro lugar, tem essa origem, ou outra origem, mas se ele está realmente em condições, se ele é a pessoa mais adequada para conduzir a Igreja neste momento da sua história", afirmou ele em entrevista coletiva.

Paduardo / Futurapress
O arcebispo Dom Odilo Scherer é observado pela multidão no último Corpus Christi

Segundo o cardeal, o substituto de Bento 16,  que surpreendeu o mundo ao anunciar sua renúncia, terá de enfrentar os desafios da "pós-modernidade", citando uma cultura "sem valores sólidos e do subjetivismo total".

"O desafio da modernidade eu acho que já foi. Agora é o desafio da pós-modernidade, da nova cultura, que é uma cultura que se define como cultura líquida, sem valores referenciais sólidos, consistentes, a cultura do subjetivismo total, e que leva a um relativismo total também, de todos os valores referenciais, inclusive os religiosos", disse.

AP
Bispo Guido Marini e um mestre de cerimônias arrumam vestimenta do papa Bento 16 durante missa da quarta-feira de cinzas na Basílica de São Pedro, no Vaticano

"Acho que a questão que temos agora a enfrentar é o conjunto de consequências de uma cultura assim que se expande de uma maneira muito rápida... Isso, naturalmente, é o desafio grande do momento."

Mas ele ressaltou que o papa não faz o trabalho sozinho e que esse desafio terá de ser enfrentado pelo conjunto da Igreja.

"O papa vai ajudar, o papa vai estimular, se estiver atento e consciente de todos esses fatores que hoje estão influenciando a vida do homem neste mundo, a sociedade, a cultura, a economia, a educação, a justiça, a política, a religião", declarou.

A vaga deixada pelo papa Bento 16 poderá ser ocupada por todos os cardeais que participarão do conclave, marcado para a segunda metade de março.

Questionado se há chance de um brasileiro ser eleito papa, ele respondeu: "os outros é que vão dizer".

Além de dom Odilo, os outros brasileiros no conclave são o arcebispo emérito de São Paulo, dom Claudio Hummes, que terá 78 anos quando começar o processo de escolha, o atual presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Raymundo Damasceno, que completará 76 anos em 15 de fevereiro e é arcebispo de Aparecida, o prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, no Vaticano, dom João Braz de Aviz, de 65 anos; e o arcebispo de Salvador e ex-presidente da CNBB, dom Geraldo Majella Agnelo, que completará 80 anos em outubro.

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