Em Salvador, Dilma ataca ACM Neto e diz que Pelegrino joga em seu time

Presidente, que errou o nome do bairro onde comício se realizava, disse que a capital baiana não merece ter "um governozinho"

João Paulo Gondim - iG Salvador | - Atualizada às

A presidenta da República, Dilma Rousseff, iniciou seus compromissos eleitorais no segundo turno ao subir no palanque do candidato do PT a prefeito de Salvador, Nélson Pelegrino, nesta sexta-feira (19), no complexo de Cajazeiras, no subúrbio da capital baiana. Segundo a Polícia Militar, 6 a 8 mil pessoas compareceram ao comício da presidenta.

Em alusão à baixa estatura do adversário do PT, ACM Neto (DEM), que mede 1,67, a presidenta disse que Salvador não "pode ter um governinho, um governo pequenininho. Nós temos que ter um grande governo". Pelegrino, a quem Dilma disse ser companheira "de coração, cabeça e alma", tem 1,90.

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Em seu discurso de 17 minutos e meio, no qual algumas vezes chamou o bairro de Cazajeiras – "tem horas que eu fico tatibitati, mas é de emoção por estar com vocês", justificou –, ela, com adesivo do PT no lado esquerdo do peito, alfinetou o DEM, ao lembrar que o partido de ACM Neto foi ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra as cotas raciais. De acordo com o censo 2010, 80% dos 2,7 milhões de moradores de Salvador são negros ou mestiços.

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Presidenta Dilma vai a Salvador para apoiar o candidato Nélson Pelegrino

"Tem gente que entrou na Justiça para acabar com a lei das cotas, que chama o bolsa-família de bolsa-esmola, que acha um absurdo o governo subsidiar construção de casas para as pessoas que não têm moradia [referência ao programa do governo federal "Minha casa, minha vida"], que não podíamos e nem devíamos abrir as escolas particulares ao povo, como mais de um milhão de pessoas no Prouni", disse a presidenta, criticando a legenda de ACM Neto.

De acordo com Dilma, "é obrigação" a Vitória do PT na capital baiana. "Falta uma semana e dois dias [para votação]. Nós temos a obrigação de ganhar essa eleição", afirmou Dilma. De acordo com ela, Pelegrino é o "jogador" de seu time, endossando a expressão "time de Lula", fartamente utilizada na campanha petista.
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"Quando eu falo de time, eu digo que são pessoas capazes de mudar coisas. Quando, no governo federal, eu, junto com Jaques Wagner [governador baiano, do PT], conseguimos melhorar a situação do Brasil e, aqui no caso, a da Bahia, nós somos que nem um time que marca gol. E o Pelegrino é um jogador e nós precisamos dele".

Dilma ainda afirmou que seu governo é 'do bem" não discrimina nem persegue ninguém, mas o candidato que está ao seu lado é Pelegrino.

A presidenta chegou a tropeçar em alguns momentos de sua fala. Em um determinado momento, referiu-se a quem estava à sua esquerda. "O meu time é o do vice-governador Otto Alencar, do Mário Kertész [candidato do PMDB no primeiro turno] e do companheiro..." e esperou o deputado estadual Deraldo Damasceno (PSL) soprar o seu próprio nome para concluir "... companheiro Damasceno". Minutos mais tarde, ao saudar os candidatos derrotados no primeiro turno e que agora apoiam o petista, citou Kertész, Rogério Tadeu da Luz (PRTB) e se esqueceu do nome de Márcio Marinho (PRB), sendo lembrada pelas pessoas que estavam no palanque.

Já o governador da Bahia, Jaques Wagner, desdenhou da pesquisa do Ibope divulgada nesta sexta, na qual ACM Neto lidera com 47% das intenções de voto. Pelegrino está com 39% . O governador lembrou de erros cometidos pelo instituto no Estado e que fez uma pesquisa na qual constata que o petista está cinco pontos à frente do DEM.

O governador fez referência ao ultimo capítulo da novela "Avenida Brasil", da Rede Globo, para criticar seus oponentes.

"Vocês sabem quem matou o Max [personagem do folhetim]? Eu também não sei. Mas eu sei quem vai salvar Salvador: é 13". Wagner também disse que "quem não cuidou em 40 anos não é agora que vai cuidar", em uma referência ao carlismo, corrente política hegemônica na política baiana por décadas, e liderada pelo avô de ACM Neto.

Pelegrino, por sua vez, prometeu uma série de melhorias para Cajazeiras como a chegada do metrô, a construção de avenidas, a instalação de UPAs e melhorias nos postos de saúde, e uma escola técnica federal, entre outras ações.

Novela 

Inicialmente marcado para as 19h30, o comício foi antecipado em uma hora e meia para evitar a simultaneidade com a exibição do último capítulo da novela, cujo início é às 21h30. Um dos coordenadores de campanha do PT, o senador Walter Pinheiro sugeriu a transmissão da novela pelo telão do palco.

No entanto, o DEM ingressou com liminar impedindo a exibição da novela, alegando que isso configuraria showmício, ato proibido pela legislação. A Justiça Eleitoral acatou a ação do partido de ACM Neto. No entendimento da juíza Ana Conceição Barbuda Sanches Guimarães Ferreira, da 9ª Zona Eleitoral, Pelegrino se beneficiaria do sucesso da novela e da popularidade dos artistas do folhetim.

Apesar da reprise do último capítulo no próximo sábado (20), a presidente cancelou um compromisso da candidatura do candidato petista à prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad. O evento seria no mesmo horário do folhetim.

Moradora de Cajazeiras 10, a estudante Marileide de Jesus, 18, disse ter gostado da antecipação do ato em seu bairro. "Vim aqui para ver a Dilma. Se ela não estivesse neste comício, não viria, já que não gosto de política. Mas a presença da presidenta é diferente, né, é uma honra para Cajazeiras", disse a jovem, que admitiu: "mas, para mim, a coisa mais importante de hoje é acompanhar o fim de Carminha", disse, em referência a uma personagem de "Avenida Brasil".

A enfermeira Nilzete Pereira dos Santos, 34, disse não ser eleitora em Salvador, mas que aproveitou o comício ser perto de sua casa para saber se, de fato, o metrô de Salvador –que ainda não foi inaugurado– vai passar pelo bairro. "Quero ouvir isso da boca de alguém para ter certeza de que vai haver uma estação aqui", falou a enfermeira.

Metrô nesse bairro, aliás, foi prometido por Pelegrino e ACM Neto durante todo o primeiro turno. De acordo com dados do IBGE divulgados em março deste ano, o complexo, apesar de ir até Cajazeiras 11, tem oito bairros – não existem Cajazeiras 1, 3 e 9. Todas as Cajazeiras têm, no total, mais de 60,2 mil moradores, No entanto, considerando os quatro bairros vizinhos chamados Fazenda Grande, a região, ao todo, tem cerca de 102 mil habitantes. Os moradores contestam esses números e dizem que há mais de 600 mil pessoas ali.

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