Saiba as consequências do 11 de Setembro para o terrorismo

Apesar de invasão de EUA no Afeganistão ter debilitado Al-Qaeda, grupo é 'a primeira rede terrorista global da história', diz analista

Marsílea Gombata e Leda Balbino, iG São Paulo |

Getty Images
Afegão conversa com tradutor do Exército americano em 11/10/2010
Os ataques terroristas do 11 de Setembro mudaram a última década e os anos que virão ao ter como consequência decisões de Washington que debilitaram o país política, econômica e militarmente .

Saiba as consequências para o terrorismo:

Foi no sul da Ásia que a Guerra ao Terror teve seus maiores efeitos. Em 7 de outubro de 2001, uma coalizão liderada pelos EUA deu início à ofensiva no Afeganistão para caçar membros da Al-Qaeda abrigados pela milícia islâmica do Taleban no país.

Como consequência imediata, a operação militar destituiu o Taleban, que governava boa parte do território afegão desde 1996, e debilitou os terroristas da rede de Osama bin Laden, que buscaram refúgio nas áreas tribais na fronteira do Paquistão e em outros países.

Mas essa fuga não debilitou totalmente o grupo, segundo Bruce Riedel, ex-agente da CIA e pesquisador de relações internacionais do Instituto Brookings, em Washington, para quem a Al-Qaeda é "a primeira rede terrorista global da história". "Ela opera de Mumbai a Madrid", afirmou.

A opinião é compartilhada pela especialista Anna Han, da Universidade Santa Clara, na Califórnia, que afirma que o "êxodo" do grupo fez com que a rede fosse capaz de recrutar novos integrantes em mais lugares e de forma mais efetiva, fortalecendo braços da organização em países como Argélia, Iêmen e Iraque e posteriormente voltando a se reagrupar com novos jihadistas no Afeganistão e Paquistão.

A dispersão de membros da Al-Qaeda também atigiu países europeus como o Reino Unido, onde os militantes se organizaram em células menores. “O 11 de Setembro fez a Al-Qaeda ser um fenômeno não apenas da Ásia e do Oriente Médio, mas também da Europa ”, disse o especialista belga Piotr Maciej Kaczynski, do Centro para Estudos de Políticas Europeias (Ceps, na sigla em inglês), em Bruxelas.

O analista de inteligência britânico Richard Bennet, porém, discorda. “A guerra no Afeganistão foi catastrófica para a Al-Qaeda. A organização não somente perdeu apoio, infraestrutura e suporte vitais para suas operações, como a maioria de seus membros foi forçada a viver como fugitivos, quando não foram capturados ou mortos.”

De acordo com Bennet, com o aumento dos esforços militares e de inteligência na região, a tendência é que as operações terroristas sejam arquitetadas de forma cada vez mais descentralizada por grupos menores e locais. “A própria Al-Qaeda provavelmente ficará responsável apenas por fornecer dinheiro, armas e dispositivos quando possível”, afirmou.

O ex-agente da CIA Riedel concorda que, após a morte de Osama bin Laden na cidade paquistanesa de Abbottabad em maio, a Al-Qaeda está se tornando mais difusa - com a liderança central no Paquistão oferecendo mais inspiração estratégica do que direção operacional. Mas, apesar disso, argumenta que a ideia de jihad (guerra santa) global do grupo se tornou uma realidade que independe de um líder.

Além disso, a localização da liderança central do grupo no Paquistão já seria um fato importante por si mesmo. "O país, que tem o arsenal nuclear que mais cresce rápido no mundo, em breve se tornará o maior Estado muçulmano em população. A Al-Qaeda e seus aliados, como o Taleban paquistanês, entendem sua importância estratégica", disse.

Para Riedel, enfraquecer a liderança central da Al-Qaeda no Paquistão, que depois da morte Bin Laden passou a ser comandada pelo egípcio Ayman al-Zawahiri , é vital para a estabilidade do sul da Ásia.

Para combatê-la, o ex-agente da CIA defende uma estratégia de terrorismo global, com mais cooperação internacional e mais atenção para resolver disputas que forneçam recrutas para o terrorismo. "E, acima de tudo, precisamos de uma solução para a Palestina , e não vetos", completou, referindo-se ao impasse de décadas que não garante a formação de um Estado palestino ao lado de Israel.

Ainda neste mês, a Autoridade Nacional Palestina tentará obter reconhecimento na Organização das Nações Unidas (ONU) como Estado membro de pleno direito , mas os EUA já disseram que vetarão a iniciativa no Conselho de Segurança da ONU .

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