Tamanho do texto

Publicação reconhece importância de multidões que saíram às ruas para lutar por direitos em 2011, especialmente no mundo árabe

A figura do "manifestante" foi escolhida como a "Personalidade do Ano" pela revista americana Time, em reconhecimento às multidões que saíram às ruas para lutar por seus direitos em todo o mundo, em particular no Oriente Médio e no norte da África .

"Da Primavera Árabe a Atenas, do 'Ocupe Wall Street' a Moscou", afirma a chamada de capa, que mostra um jovem com a metade inferior do rosto coberta por um lenço.

Leia também: Internet favorece mobilizações apartidárias em regimes fechados

O editor da revista, Richard Stengel, que anunciou a escolha no programa "Today Show" do canal NBC, explicou que o objetivo é homenagear "os homens e as mulheres de todo o mundo que derrubaram governos e levaram um sentido de democracia e dignidade às pessoas que antes não os tinham".

"Estas pessoas já estão mudando a história e continuarão mudando a história no futuro", completou Stengel. "Há um contágio de protestos. O que aconteceu no mundo árabe influenciou o 'Ocupe Wall Street' e os protestos na Grécia e em Madri", disse.

Entre os manifestantes citados pela revista está Mohamed Bouazizi, um vendedor ambulante de 26 anos e morador da Tunísia que ateou fogo ao próprio corpo no ano passado, em protesto contra o confisco de suas mercadorias por policiais. A divulgação do vídeo na qual Bouazizi imola-se na cidade de Sidi Bouzid é considerada um dos estopins dos protestos no país que depois se espalharam pelo mundo árabe.

Filmado por tunisianos que estavam no local munidos de seus telefones celulares, o vídeo foi publicado no YouTube, compartilhado em redes sociais e transmitido pela emissora Al-Jazeera, alcançando grande número de espectadores árabes e, depois, ganhando o noticiário internacional. Sem a liderança de um partido ou organização específica, milhares se revoltaram contra o governo.

"Ninguém poderia saber que, no momento em que um vendedor de frutas tunisiano ateou fogo ao próprio corpo em uma praça, iria incitar protestos que derrubariam ditadores e começariam uma onda global de dissidência", diz o texto da revista. "Em 2011, manifestantes não apenas deram voz às suas queixas. Eles mudaram o mundo."

Finalistas

O "prêmio" da Time foi criado em 1927, com o título de "Homem do Ano" e atualizado para "Personalidade do Ano" em 1999. O objetivo é sempre escolher um indivíduo que tenha tido papel definitivo em um acontecimento importante.

Retrospectiva: Veja o especial com os fatos e personalidades que marcaram 2011

A revista afirmou que entre os "finalistas" deste ano estavam Kate Middleton , esposa do príncipe William da Inglaterra, e o almirante William McRaven, comandante do grupo 'Seals' dos marines americanos que matou Osama bin Laden em uma operação no Paquistão em maio. Também foi citado o nome de Steve Jobs , um dos fundadores da Apple, cuja morte provocou comoção em todo o mundo..

Em 2010, a Time selecionou como "personalidade do ano" o fundador do Facebook, Mark Zuckerberg , que na época, com 26 anos, tornou-se o segundo mais jovem da história a receber a homenagem, atrás apenas do aviador americano Charles Lindbergh, escolhido em 1927, quando tinha 25 anos.

Entre os "vencedores" também estão o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama (2008); o ex-presidente da Rússia Vladimir Putin (2007); Você (representando os criadores de conteúdo na internet, 2007), o cantor e ativista irlandês Bono e o casal de filantropos americanos Bill e Melinda Gates (2005); e o ex-presidente dos EUA George W. Bush (2004).

Com AFP

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.