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Ex-líder egípcio é acusado de cumplicidade na morte de mais de 800 manifestantes na repressão contra o levante que depôs seu regime

O julgamento do ex-presidente egípcio Hosni Mubarak , pelo seu suposto envolvimento no massacre de manifestantes durante o levante popular que forçou sua renúncia em 11 de fevereiro , recomeçou nesta quarta-feira após uma suspensão de dois meses.

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AP
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Mubarak, de 83 anos, é acusado de cumplicidade na morte de mais de 800 manifestantes na repressão contra a mobilização popular, que durou 18 dias. Ele pode enfrentar a pena de morte se for considerado culpado.

De acordo com a TV egípcia, a sessão começou às 10h15 (6h15 de Brasília) na sala da Academia de Polícia do Cairo. Durante a audiência, espera-se que o advogado de Mubarak Farid el Deeb apresente provas de sua inocência, acrescentou a rede que não exibiu imagens do interior da audiência.

O ex-chefe de Estado chegou de helicóptero à Academia de Polícia e foi transferido de ambulância para o interior do prédio. Mubarak, que sofreu um ataque cardíaco em 12 de abril durante um interrogatório judicial, está internado em um hospital militar na estrada que liga a capital a Ismaília, junto ao Canal de Suez, e assistiu a todas as sessões anteriores deitado em uma maca.

Também assistem a essa audiência, a sexta do julgamento, os demais acusados pela morte de manifestantes durante a Revolução de 25 de Janeiro: os dois filhos do ex-presidente, Gamal e Alaa, e o ex-ministro do Interior Habib el-Adly, além de seis de seus assessores.

O julgamento de Mubarak começou em agosto. Nas primeiras sessões, o julgamento foi prejudicado por frequente comoção e argumentos entre os advogados representando os dois lados. Posteriormente, o juiz proibiu a cobertura pela mídia.

Em 24 de setembro, o chefe da junta militar que sucedeu a Mubarak no poder, Hussein Tantawi, testemunhou sob um total banimento da imprensa. Os jornalistas foram impedidos de entrar na corte e de publicar quaisquer detalhes vazados de seu testemunho. Muitos acreditam que Tantawi — que foi o ministro da Defesa de Mubarak por duas décadas — pode responder à questão crucial se Mubarak ordenou o uso de força letal contra os manifestantes ou se pelo menos sabia disso e não fez nada para impedir.

O processo foi atrasado em 22 de outubro , depois que um grupo de advogados da acusação pediu no dia do testemunho de Tantawi que o juiz Ahmed Refaat, presidente da Corte Penal do Cairo, encarregado de julgar Mubarak, fosse substituído por seu suposto envolvimento no assassinato de manifestantes durante a revolução egípcia. Ashraf Amin Atwa, um dos advogados dos mais de 800 mortos na repressão, denunciou que "o tribunal não permitiu aos advogados fazessem perguntas ao marechal" e que "apenas um deles pôde interpelá-lo".

O Conselho Supremo de Justiça já negou taxativamente que Refaat tenha trabalhado algum tempo na Presidência da República, durante o mandato de Mubarak, mas os advogados da acusação exigiram dessa corte um memorando detalhado sobre os lugares onde o juiz já atuou.

*Com EFE

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