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Egípcios lotam praça Tahrir para exigir rapidez no julgamento de autoridades e policiais por repressão à manifestação anti-Mubarak

Milhares de egípcios foram à praça Tahrir, no centro do Cairo, nesta sexta-feira para uma manifestação por reformas políticas e rapidez no julgamento de autoridades do antigo governo do país, quase cinco meses após a onda de protestos que forçou o ex-presidente Hosni Mubarak a deixar o cargo. Centenas também protestaram nas cidades de Suez e Alexandria.

Milhares de egípcios protestam na praça Tahrir, centro do Cairo
Reuters
Milhares de egípcios protestam na praça Tahrir, centro do Cairo

Os manifestantes seguravam cartazes que diziam "Nossa revolução continua", "Não vimos mudança" e "Punição para os assassinos dos mártires", enquanto gritavam frases de ordem exigindo a demissão de autoridades do governo Mubarak, punições a policiais envolvidos na violenta repressão aos protestos do início do ano e o fim dos tribunais militares para julgar civis.

A maioria dos grupos políticos, incluindo a Irmandade Islâmica, apoiou a manifestação. A praça Tahir já estava lotada antes das orações de sexta-feira, sugerindo que a manifestação possa ser uma das maiores desde a queda de Mubarak.

Os egípcios chamam os que morreram nos protestos de "mártires". Mais de 840 pessoas morreram nos 18 dias que levaram à derrubada de Mubarak, após a polícia usar balas de borracha, munição, gás lacrimogêneo e cassetetes contra os manifestantes.

Punição

Na quinta-feira, o jornal estatal "Al-Ahram" afirmou que o governo egípcio planeja uma reformulação no alto escalão da polícia para remover oficiais envolvidos na repressão aos protestos. O anúncio pareceu ter o objetivo de acalmar a irritação popular com as táticas da polícia antes das grandes manifestações convocadas por grupos de direitos humanos e pró-democracia para esta sexta-feira.

Mais de 800 pessoas foram mortas e 6 mil ficaram feridas durante os primeiros dias do levante, quando a polícia usou cassetetes, gás lacrimogêneo, canhões d'água e munição contra manifestantes.

Segundo uma fonte de segurança citada pelo Al-Ahram, todas as autoridades "culpadas dos eventos durante a revolução, especialmente aqueles que aconteceram em 28 de janeiro" serão aposentados.

O dia 28 de janeiro ficou conhecido como Sexta-Feira da Ira e foi um dos episódios mais sangrentos do levante. A onda de violência levou à intervenção do Exército e a polícia recebeu ordens para sair das ruas.

De acordo com a autoridade ouvida pelo jornal, a ideia da reformulação é mudar o pensamento da polícia, para que os policiais tratem os civis com respeito.

Com Reuters e AFP

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