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Rússia e China concordaram com declaração para que regime de Assad siga proposta, no mesmo dia em que forças sírias atacaram Homs e Damasco

O Conselho de Segurança da ONU, incluindo Rússia e China, concordou com uma declaração sobre a Síria que apoia a proposta do enviado especial da entidade e da Liga Árabe, Kofi Annan , para acabar com a violência que leva o país à beira de uma guerra civil.

Segundo diplomatas, a declaração solicita à Síria que aplique imediatamente o plano de paz proposto, formulando uma advertência velada sobre eventuais medidas internacionais.

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Após intensas negociações entre as potências, Rússia e China aprovaram uma proposta redigida pelos países ocidentais pedindo que o presidente sírio, Bashar al-Assad, atue para pôr um fim às hostilidades e por uma transição democrática.

Garotas feridas em conflito na Síria se recuperam em hospital no Líbano
AFP
Garotas feridas em conflito na Síria se recuperam em hospital no Líbano
A declaração também ameaça a Síria com "mais medidas" se não cumprir com a proposta de paz de seis pontos de Annan. O plano pede que seja estabelecido um cessar-fogo vigiado pela ONU; diálogo político entre governo e oposição; retirada de tropas sírias e artilharia pesada das cidades onde ocorrem os protestos; não intervenção estrangeira; pausa humanitária de duas horas diárias nas hostilidades; e que o regime conceda acesso a todas as zonas afetadas pelos combates para permitir acesso a ajuda humanitária.

Diante da proposta, os Estados Unidos alertaram a Síria para o compromisso de cooperar com o plano da ONU. A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, pediu para que Assad “escolha esse caminho, comprometa-se com ele, ou enfrente cada vez mais pressão e isolamento”.

"O Conselho de Segurança convoca o governo da Síria e a oposição a trabalharem de boa fé com o enviado sobre um acordo de paz na crise síria e a implementar de forma completa e imediata sua proposta inicial de seis pontos", afirma a declaração.

Confronto

No mesmo dia em que o Conselho de Segurança chegou a um consenso sobre o plano que a Síria deve seguir, forças sírias bombardearam dois subúrbios da capital Damasco e intensificaram a pressão sobre Homs.

A pedido da Rússia, o Conselho de Segurança enviou paralelamente um comunicado à imprensa condenando os bombardeios em Damasco e em Aleppo, segunda maior cidade síria, no fim de semana. "Os membros do Conselho de Segurança condenam nos termos mais enérgicos os ataques terroristas ocorridos em Damasco , nos dias 17 e 19 de março, e em Aleppo , no dia 18 de março, causando muitos mortos e feridos", indicou o segundo comunicado.

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Nesta quarta-feira, ao menos 52 pessoas, entre elas dez crianças e quatro mulheres, morreram na Síria vítimas do bombardeio lançado pelas tropas do regime de Assad contra Homs. Segundo opositores, somente no bairro de Al Khalidiya, 32 morreram e mais de 150 ficaram feridos.

Imagem de vídeo mostra fumaça decorrente dos ataques em Homs, na Síria
AP
Imagem de vídeo mostra fumaça decorrente dos ataques em Homs, na Síria

As demais mortes ocorreram na província central de Hama, Deraa, Idlib e em Deir ez Zor.

A ONU calcula que mais de 8 mil pessoas morreram desde o início dos protestos há um ano . Opositores, no entanto, estimam que o número de mortos chegue a 9 mil.

*Com AFP, Reuters, BBC e EFE

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