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Presidente afirma não ter lógica a acusação de que lançou ataque químico em área onde estão as forças do governo

O presidente sírio, Bashar al-Assad, alertou os EUA de que qualquer intervenção militar americana na Síria seria um fracasso, negando que suas forças tenham usado armas químicas em uma área no leste de Damasco na semana passada.

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Foto sem data divulgada nesta segunda pela agência oficial Sana mostra o presidente sírio, Bashar al-Assad, durante entrevista com o jornal russo Izvestia
AP
Foto sem data divulgada nesta segunda pela agência oficial Sana mostra o presidente sírio, Bashar al-Assad, durante entrevista com o jornal russo Izvestia

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"O fracasso espera os EUA como em todas as guerras anteriores desencadeadas por eles, começando com o Vietnã até os dias de hoje", disse Assad ao jornal pró-Kremlin Izvestia, em uma entrevista que o diário russo disse ter sido realizada em Damasco.

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Assad afirmou que as forças do governo sírio estão perto da região nos arredores de Damasco onde as forças rebeldes acusam as tropas do governo de terem matado centenas ao disparar bombas com gás venenoso. Segundo Assad, porém, atacar tal área com armas químicas não faria sentido para o governo pelo fato de não haver linhas claras entre o regime e as forças rebeldes.

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"Como o governo pode usar armas químicas, ou qualquer armamento de destruição em massa, em uma área onde suas tropas estão situadas?", indagou. "Isso não tem lógica. Isso explica por que essas acusações são póliticamente motivadas, e uma recente série de vitórias das forças do governo sobre os terroristas são a razão disso", disse Assad ao Izvestia, referindo-se aos rebeldes que lutam numa guerra civil de mais de dois anos para depô-lo.

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Os EUA têm recebido cada vez mais apelos internacionais para tomar uma ação em resposta ao ataque com gás na Síria, lançado na quarta-feira. O presidente Barack Obama havia declarado que qualquer uso de arma química na Síria seria um limite que exigiria uma resposta firme .

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De acordo com os Médicos Sem Fronteiras, 355 morreram por fogo de artilharia das forças do regime em 21 de agosto, ataque que incluiu o uso de gás tóxico. Ativistas e líderes da oposição disseram que entre 322 e 1,3 mil teriam morrido no suposto ataque químico.

Ação militar

Washington recentemente aumentou sua presença naval no leste do Mediterrâneo , e líderes militares dos EUA, Reino Unido e seus aliados estão se reunindo na Jordânia. Mas o Conselho de Segurança da ONU continua dividido, parecendo improvável que a Rússia e a China retirem sua objeção a sanções mais duras contra o governo de Assad.

O ministro de Relações Exteriores da China, Wang Yi, disse nesta segunda que os diplomatas deveriam ser cautelosos ao lidar com a questão das armas químicas, enquanto Moscou alertou o Ocidente a não prejulgar o resultado das inspeções.

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Políticos ocidentais começaram a sugerir adotar uma ação fora do sistema da ONU. O chanceler britânico, William Hague, disse à rede britânica BBC que a ação poderia ser tomada sem a aprovação do órgão se houver "uma grande necessidade humanitária" na Síria. Seu homólogo francês, Laurent Fabius, sugriu que o Conselho de Segurança poderia ser desconsiderado "em certas circunstâncias".

O chanceler turco, Ahmet Davutoglu, disse ao jornal Milliyet que mais de 30 países já discutiam como atuar na Síria se a ONU fracassasse em chegar a um acordo. Ele prometeu que a Turquia entraria em qualquer coalizão contra o regime de Assad, com ou sem o endosso da ONU.

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Acredita-se que as forças de segurança sírias tenham amplos estoques não declarados de gás mostrada e do agente neurológico sarin . A Síria é um dos sete países que não assinaram a convenção de 1997 banindo armas químicas.

*Com Reuters, AP e BBC

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