Prioridade da campeã de gastos na Assembleia de SP é divulgação

De 15 de março a 30 de junho, Analice Fernandes gastou R$ 92 mil e participou como oradora de duas sessões na Assembleia

Nara Alves, iG São Paulo | 01/08/2011 08:00 - Atualizada em 15/08/2011 13:16

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Depois de 132 homenagens, 10 batismos de ruas e prédios e 13 projetos de lei interesse público, a deputada Analice Fernandes (PSDB) iniciou seu terceiro mandato na Assembleia Legislativa de São Paulo com um novo título, o de campeã de gastos da verba indenizatória no primeiro semestre de 2011. Gastou R$ 92 mil, mais do que seus 93 colegas, e destinou metade deste valor à divulgação de seu nome, de acordo com levantamento do iG. Em três meses e meio, ela apresentou dois projetos de lei que transformam municípios em estâncias e participou como oradora de duas sessões.

Foto: Divulgação Ampliar

Com o marido, Analice participa de reunião no gabinete do secretário de Segurança Pública

A frequência com que a deputada participou das sessões como oradora é cerca de cinco vezes menor que a do segundo maior gastador, Roberto Morais (PPS). O deputado, que utilizou R$ 88,6 mil, fez uso do microfone 11 vezes no mesmo período. Já o deputado menos gastador, João Antonio (PT), que usou R$ 13,5 mil, esteve à frente no Plenário por 25 vezes, de acordo com os registros da Casa. Os deputados que não prestaram todas as contas de 15 de março a 30 de junho não foram levados em consideração no levantamento dos mais caros e mais baratos da Assembleia.

Por meio de sua assessoria, a deputada alegou que ter discursado poucas vezes desde o início da legislatura não significa baixa participação nas atividades da Assembleia. Isso porque Analice participou de outras sessões, mas sem se manifestar publicamente. O iG solicitou à Presidência da Assembleia a lista de presença nas sessões, mas obteve apenas a ata das sessões com seus respectivos oradores. Nessa lista, Analice aparece somente duas vezes.

Como exemplo de atuação legislativa fora do plenário, a assessoria citou a presença de Analice nas comissões de Saúde e Infraestrutura. Segundo registros, a deputada foi a três reuniões na comissão de Saúde e a uma na de Infraestrutura. “A atuação da deputada é um pouco diferente, ela tem um perfil diferenciado”, disse a assessora Claudia Funari. A deputada, que está viajando, não pôde atender à reportagem.

Outro motivo alegado para justificar a pouca utilização do microfone do Plenário são as frequentes visitas às bases eleitorais. Sua principal base fica na região de Taboão da Serra, na grande São Paulo, onde seu marido, Fernando Fernandes, foi prefeito por dois mandatos. Sua outra base eleitoral fica em Jales, onde nasceu. Segundo a assessoria, como a cidade de Jales fica a 600 quilômetros da capital e não tem aeroporto, a deputada tem de ir de carro, o que lhe consome muito tempo.

Após a publicação da reportagem, a deputada procurou o iG por meio de sua assessoria e enviou nota reforçando que os gastos estão dentro da lei. Analice afirmou que utiliza o microfone em plenário apenas quando julga necessário "e não por falta de tempo". "Conduzo meu mandato com seriedade e participação. Minha atividade parlamentar é diferenciada por atuar em duas regiões distintas e distantes. A região de Jales e a região sudoeste da grande São Paulo. Neste cenário, nos esforçamos para estarmos junto às comunidades das duas regiões e manter nosso trabalho atuante na Assembleia", disse.

'Sem relevância'

De 15 de março a 30 de junho, nas duas únicas vezes em que falou no plenário, Analice prestou homenagens. Em 1º de abril, elogiou iniciativas da administração do governador Geraldo Alckmin (PSDB) e, em 12 de maio, a deputada, que é formada em enfermagem, destacou o Dia do Enfermeiro. Os discursos repetem a atuação parlamentar que teve nos últimos mandatos, quando se empenhou em lembrar aniversários de municípios, criação de associações e fatos religiosos.

Em oito anos (2003-2010), a deputada apresentou 155 proposições. Destas, 91,6% são “sem relevância”, segundo a ONG Transparência Brasil, que classifica como “sem relevância” homenagens, batismo de ruas, de salas e datas comemorativas. Para Analice, as homenagens são relevantes porque demonstram que há um “acompanhamento” da comunidade.

Apenas 8,4% das matérias apresentadas por Analice podem ser consideradas “relevantes”, segundo a ONG, com temas como saúde, segurança e educação. Exemplo disso é a proposta apresentada por ela 10 dias antes do início de seu terceiro mandato. Em 5 de março, Analice apresentou um projeto de lei que prevê a elaboração e divulgação de um banco de dados sobre a violência contra a mulher.
Outro exemplo de matéria considerada pela ONG como “relevante” é o projeto de lei de 2010 que institui o “Dia da Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais”. Analice frequenta cultos religiosos semanalmente e participa de obras assistenciais da Igreja Adventista do Sétimo Dia.

Foto: Reprodução

No site da deputada, ganha destaque seu marido, pré-candidato à Prefeitura de Taboão

Divulgação

Mais da metade dos gastos do gabinete de Analice Fernandes é em divulgação com material gráfico e serviços técnicos, como contratação de empresas de comunicação. Nesse quesito foram utilizados R$ 59,2 mil.

Um dos principais investimentos em divulgação é o site da deputada, onde ganha destaque seu marido, pré-candidato à prefeitura de Taboão da Serra em 2012. Presidente do PSDB em Taboão, Fernando Fernandes trabalha atualmente na Secretaria Estadual de Transportes Metropolitanos. Em seu blog na internet, o marido da deputada – que coordenou as duas últimas campanhas da parlamentar - mostra que tem participado ativamente do mandato da mulher, divulgando fotos e informações sobre reuniões com Analice e secretários do governo tucano.

De acordo com a assessoria de imprensa da deputada, a publicidade é essencial para que seus eleitores se mantenham bem informados. “Na região não tem emissora de televisão e rádio. As pessoas só ficam sabendo o que a deputada está fazendo quando ela diz o que está fazendo.”

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