Governo afaga PMDB e ameniza disputa com PT

Dilma ordenou auxiliares a trabalharem para evitar um abalo na eleição pela presidência da Câmara

Clarissa Oliveira, iG São Paulo, e Andréia Sadi, iG Brasília | 11/01/2011 18:51

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Empenhada em evitar um abalo na eleição pela presidência da Câmara, a presidenta Dilma Rousseff intensificou as articulações para pôr panos quentes na briga entre PT e PMDB por cargos no novo governo. Na manhã desta terça-feira, os ministros Antonio Palocci, da Casa Civil, e Luiz Sérgio, das Relações Institucionais, reuniram-se com o vice Michel Temer e o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves, para apaziguar as tensões sobre a partilha de cargos para o segundo escalão.

Foto: Agência Estado Ampliar

Clima amigável se fez sentir em almoço; plano é angariar maioria para o deputado Marco Maia, candidato à presidência da Câmara

A ordem repassada pela presidenta é evitar que a eleição na Câmara se transforme numa crise a menos de um mês do início do governo. O governo se esforça para garantir maioria ao deputado Marco Maia (PT-RS) e já enfrenta a ameaça de pelo menos três possíveis candidaturas dissidentes - Sandro Mabel (PR-GO), Aldo Rebelo (PC do B-SP) e Júlio Delgado (PSB-MG).

O clima amigável com que a reunião desta manhã foi encerrada se fez sentir num almoço organizado em seguida, do qual participaram Temer, Alves, Maia, o líder do PT na Câmara, Paulo Teixeira (SP) e o também petista Arlindo Chinaglia (SP). "Eu diria que a campanha de Marco Maia ganhou alta estabilidade", disse Teixeira.

A tese de que uma sinalização para o PMDB se fazia necessária ganhou força principalmente depois da decisão de não atender a demanda dos peemedebistas por um assento permanente na coordenação política do governo. Pressionada, Dilma chegou a cogitar a inclusão de mais um nome do partido no grupo além de Temer, mas voltou atrás após avaliar que a ampliação do núcleo dificultaria o preenchimento do segundo escalão.

Dilma tem se empenhado pessoalmente na articulação da eleição na Câmara. Em sua primeira semana no Planalto, a presidenta pediu a Maia informações sobre a disputa e ouviu do petista que o plano é viajar pelo País para angariar apoios. Na semana passada, Maia esteve em São Paulo conversar com lideranças do PDT e PR. Embora os pedetistas ainda ainda tenham fechado posição sobre o assunto, petistas dizem que a declaração de apoio deve ser anunciada ainda nesta semana. No caso do PR, Maia tem se mostrado confiante nas negociações.

Mesmo com a ameaça de uma dissidência do PSB, o governador do Ceará, Cid Gomes, também tem participado da articulação em favor de Maia. Ele esteve na Câmara dos Deputados nesta terça-feira dizendo buscar apoio para o petista e prometendo iniciar um movimento para colher assinaturas. Ele disse ter conversado com os quatro deputados socialistas sobre o assunto.  E diz esperar convencer, até o fim da semana, todos os 22 parlamentares eleitos pelo Ceará por diversos partidos. 

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