Governadores eleitos tomam posse nos Estados

Maioria adotou um tom de aliança para evitar confronto com governo federal

iG São Paulo | 01/01/2011 13:20 - Atualizada às 17:34

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Antes de a presidenta eleita Dilma Rousseff receber a faixa presidencial em Brasília (DF), governadores tomaram posse neste sábado, evitando fazer confrontação à oposição. Alguns, como o gaúcho Tarso Genro (PT) e o paulista Geraldo Alckmin (PSDB) chegaram até mesmo a pregar um pacto com partidos da oposição.

Em Porto Alegre, o ex-ministro da Justiça Tarso Genro assinou o termo de posse como novo governador do Rio Grande do Sul às 8:55 horas deste sábado, prometeu manter relações respeitosas com a oposição e propôs um pacto entre os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário para construir consensos necessários ao Estado.

De volta ao governo paulista, Geraldo Alckmin (PSDB) sugerindo um pacto com a oposição em prol da governabilidade, na solenidade de posse na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp). “Conto com a oposição responsável, que propõe o dialogo para melhorar o processo político e o governo como um todo”, disse na cerimônia.

Reeleito, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), chegou às 11:20 horas na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), onde foi empossado para cumprir o segundo mandato. Após a cerimônia de posse, em que ressaltou os feitos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), Cabral viajou para Brasília onde acompanhará a posse de Dilma.

O novo governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, exaltou os avanços do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e agradeceu aos "companheiros" de militância. Agnelo observou ainda que o Distrito Federal deixou de pegar carona nos avanços obtidos pelo governo Lula. Com isso, disse ele, o “fosso” existente entre a população mais rica do Estado e as camadas mais pobres ficou ainda maior.

Em Rio Branco, capital do Acre, a cerimônia de posse de Tião Viana (PT), teve início às 0:40 horas (hora local). No evento, ele destacou seu trabalho no Senado e a trajetória da Frente Popular do Acre, coligação que o PT encabeça e que completa 16 anos. Tião Viana também relembrou os avanços conquistados nos governos de Jorge Viana (PT) e Binho Marques (PT).

O governador reeleito de Mato Grosso do Sul, André Puccinelli (PMDB), lembrou que fez de seu primeiro mandato "o trabalho de oito anos em apenas quatro". Depois de afirmar que vai buscar junto aos poderes um "relacionamento fraterno", destacou: "Governar envolve muitas vezes atitudes ásperas. Nem sempre se governa com o coração leve".

Em Alagoas, Teotônio Vilela Filho (PSDB) foi empossado no cargo juntamente com o vice-governador, José Thomaz Nonô (DEM). Em seu discurso de posse, Vilela fez um balanço do seu primeiro mandato, agradeceu a confiança do povo alagoano e disse que sua equipe de governo está preparada para superar as dificuldades, melhorando os indicadores sociais que colocam Alagoas entre os Estados mais pobres do País.

O governador reeleito de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), afirmou em seu discurso de posse ter a certeza da "mais dedicada atenção" do novo governo de Dilma Rousseff (PT) em relação ao Estado - com a manutenção da mesma linha adotada por Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A previsão de cortes no orçamento na próxima gestão não o preocupa. Segundo ele, Pernambuco conseguiu multiplicar por quatro a sua capacidade de investimento. Por isso, projetos já pactuados não serão afetados.

Em sua primeira entrevista em 2011, o governador de Minas Gerais, Antonio Anastasia (PSDB), cobrou reformas do governo federal, mas garantiu que manterá boa relação com o governo Dilma Rousseff (PT). “Precisamos modificar a política tributária dos minérios em Minas Gerais. Isso depende fundamentalmente de uma ampla reforma tributária nacional. O tributo que incide sobre a atividade mineral, chamado royalty, é da competência do governo federal. Precisamos nos esforçar para que haja essa modificação”, reivindicou.

Já no Pará, o tucano Simão Jatene prometeu "fazer o possível e até o impossível para que daqui a quatro anos tenhamos um Estado bem melhor do que aquele que estou recebendo".

Camilo Capiberibe (PSB) foi empossado no cargo de governador do Amapá no começo da madrugada deste sábado. Ele é o governador mais jovem do País. Em seu discurso, o governador reafirmou seus compromissos de campanha, como concursos públicos, mais escolas, integração regional, banda larga e médicos, remédios e equipamentos para a rede de saúde.

Em um discurso emocionado, o governador de Sergipe, Marcelo Déda (PT), que foi empossado para o segundo mandato juntamente com o vice Jackson Barreto (PMDB), disse que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) "é o imortal do povo". "Peço a vocês que orem pelo presidente Lula, agora que ele está indo para casa", afirmou.

Tensão

No Tocantins, a cerimônia de posse teve momentos de tensão. O novo governador o Tocantins, José Wilson Siqueira Campos (PSDB), não recebeu a faixa do candidato derrotado, Carlos Henrique Gaguim (PMDB). O atraso de uma hora na solenidade de transmissão irritou Gaguim, que deu a faixa a um cinegrafista. Um integrante dos pioneiros mirins acabou fazendo a entrega simbólica ao novo governador, que assume o mandato pela quarta vez, desde a criação do Estado, há 22 anos.

Em Curitiba, o governador eleito do Paraná Beto Richa (PSDB) reafirmou os compromissos assumidos durante o período eleitoral e não deixou de criticar seus antecessores. Sem citar nomes, Richa fez clara referência aos ex-governadores Roberto Requião (PMDB) e Orlando Pessuti (PMDB), dizendo que assume o Estado em "condições preocupantes". "Esse não é o tipo de herança que gostaria de ter recebido. Houve gastos que a prudência não teria permitido", afirmou, ao ressaltar que o Paraná espera um bom tratamento do governo federal.

Reeleito da Bahia, Jaques Wagner (PT) tomou posse para o segundo mandato prometendo combater a violência no Estado, zerar o analfabetismo e levar energia elétrica a todos os imóveis baianos até 2014. O governador destacou ainda as principais realizações de seu primeiro mandato e disse que vai manter e ampliar todos os programas sociais desenvolvidos em parceria com o governo federal.

Com um discurso em tom duro, desabafo e promessas de moralização dos negócios do Estado, o tucano Marconi Ferreira Perillo Júnior tomou posse do governo de Goiás na Assembleia Legislativa. "Nosso governo será ancorado no mérito", disse, alfinetando seu antecessor, o petista Alcides Rodrigues.

Reinvindicações

Dentre as reivindicações que os 27 governadores devem fazer ao governo federal estão investimentos em segurança e infraestrutura. Além de renegociar dívidas e mais recursos para a saúde, subiram na lista de prioridades dos eleitos em outubro investimentos em segurança pública e nas obras de infraestrutura incluídas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) ou voltadas à Copa de 2014.

Tanto os 16 governadores aliados da presidente Dilma quanto os 11 eleitos que apoiaram o tucano José Serra (PSDB) passaram os últimos dois meses dando sinais de que esperam parcerias e recursos do governo federal. Os movimentos mais concretos foram a proposta de parte dos eleitos pela volta da CPMF, em novembro, e o manifesto dos oito governadores do PSDB em que delegam aos deputados e senadores a tarefa de fazer oposição a Dilma.

*Com Agência Estado

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