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Presidenta desembarcou com ministros e seguiu para hotel no centro financeiro da capital; à tarde, deve visitar a Grande Muralha

A presidenta Dilma Rousseff chegou a Pequim no início desta madrugada (horário de Brasília) para uma visita de seis dias à China. Após desembarcar, ela seguiu direto para o Hotel Saint Regis, próximo do coração financeiro da capital chinesa, onde ficará hospedada. Antes de chegar ao país, ela declarou, em entrevista à agência estatal Xinhua, que o principal desafio da visita é criar bases para uma relação de " reciprocidade " na área comercial e de investimentos. A visita tem como objetivo ampliar a pauta de exportação para o gigante asiático.

Presidenta Dilma Rousseff desembarca em Pequim, onde seguiu direto para hotel antes de encontro com autoridades
Reuters
Presidenta Dilma Rousseff desembarca em Pequim, onde seguiu direto para hotel antes de encontro com autoridades
No voo estavam os ministros Edison Lobão (Minas e Energia), Fernando Pimentel (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) e Antônio Patriota (Relações Exteriores). A tarde desta segunda-feira está reservada para compromissos privados. Uma das expectativas é de que Dilma visite a Grande Muralha.

Antes, ela se reúne com Ren Zhengfei, presidente da Huawei, empresa chinesa de tecnologia e soluções para telecomunicações que tem sede no Brasil.

A expectativa é de que Pimentel fale com a imprensa após o encontro, que será realizado a portas fechadas. Na sexta-feira ou no sábado, em data ainda não confirmada, Dilma deverá se encontrar com representantes da ZTE, estatal também do setor de telecomunicações, em Xi’an, antiga capital chinesa e conhecida por abrigar os guerreiros de terracota. Acordos envolvendo tecnologia e telecomunicações são centrais na pauta desta visita.

O ministro de Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, que já estava em Pequim, também fará parte da comitiva. Já o titular da Agricultura, Wagner Rossi, chega em vôo comercial nesta tarde, horário de Pequim. O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, também é esperado nesta tarde.

Nos encontros bilaterais entre a presidenta e autoridades chinesas, as negociações sobre o setor agropecuário estão entre os mais importantes. Dilma deve pedir a queda de barreiras sanitárias que impedem a exportação para a China de carne suína. Em novembro do ano passado, missões chinesas visitaram 13 frigoríficos brasileiros, e a expectativa é que durante a visita de Dilma sejam conhecidos quais serão habilitados a exportar para o mercado chinês.

Outro foco são as exportações de aviões pela Embraer. Hoje a China já é o segundo comprador da empresa, atrás apenas dos Estados Unidos.

O presidente do Conselho Empresarial Brasil-China, Sérgio Amaral, acompanha a visita à China, onde terá encontros com empresários dos dois países, integrantes do conselho. Para ele, o Brasil precisa não apenas diversificar sua pauta de exportações para a China, baseada em commodities, como soja e minério de ferro, mas apostar em agregar valor justamente nos mercados em que já é líder, como o agrícola. "Já vendemos frango à China, um grande passo nessa relação Brasil-China. Agora, precisamos exportar pratos à base de frango", sugere Amaral.

Segundo ele, o empresariado brasileiro vê a China ou como oportunidade ou como um desafio. Amaral destaca que é preciso equilibrar estas duas percepções, que devem ser encaradas em conjunto.
Amaral chama a atenção para características peculiares da China.

A velocidade com que a economia chinesa se desenvolve acaba por imprimir mudanças também velozes nos negócios que faz. Há dez anos, lembra Amaral, o país asiático exportava produtos baseados em mão de obra barata. Hoje, explora alta tecnologia.

Além de grande poder econômico, a China se caracteriza por um poder centralizado, e muitas das principais empresas são estatais. Para Amaral, é imprescindível que haja planejamento de médio prazo das empresas brasileiras e chinesas, a fim de pavimentar o desenvolvimento das relações entre os dois países.

A China se tornou em 2009 o maior parceiro comercial do Brasil. No ano passado, o Brasil exportou US$ 30,786 bilhões para a China e importou US$ 25,593 milhões.

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