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Sem intervenção da sociedade, Comitês regionais acreditam que Comissão da Verdade pode fracassar

Representantes dos Comitês regionais que buscam esclarecer fatos da ditadura militar se reuniram nesta quinta-feira na Secretaria de Direitos Humanos (SDH) da Presidência da República para debater métodos de atuação e indicar nomes para compor a Comissão da Verdade. No evento, diversas críticas foram feitas à Comissão, mas os participantes entendem que o melhor é tentar dela se apropriar que seguir no embate contra sua formatação.

"A Comissão tem seus problemas, pouco tempo, pouca gente, mas temos de nos apropriar dela e definir critérios para o trabalho. Sem critérios não importa se forem 100 pessoas, que o não haverá resultado”, disse a representante do Comitê Pela Verdade de Goiânia, Maria Paixão.

Na mesma linha foi o representante do Coletivo RJ – Memória, Verdade e Justiça, Newton Leão Duarte. Segundo ele, “hoje, o inimigo é o fracasso”. Por isso, é preciso empenho para que a Comissão da Verdade consiga levantar dados importantes sobre desaparecidos políticos e torturados.

Leia também: Dilma sanciona lei do sigilo e criação da Comissão da Verdade

O evento, que foi presidido pelo Coordenador do Projeto Memória e Verdade da SDH, Gilney Viana, segue nesta sexta-feira, quando um documento contendo sugestões de procedimentos e de nomes para a Comissão da Verdade será redigido.

Contando com ex-presos políticos e familiares de desaparecidos, o debate também teve a presença de lideranças estudantis como Eduardo Beniacar, que representou o Comitê Pela Verdade, Memória e Justiça de Niterói-RJ.

Em sua fala fez uma autocrítica dizendo que os movimentos em busca da verdade sobre a ditadura não conseguiram mobilizar a população. “Também acho a Comissão ruim, mas onde nós estávamos quando ela foi aprovada? Ganhamos a sociedade? Não. E até hoje não ganhamos. Temos que lutar para isso”, pontuou.

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