
Sem explicação nem nada, a Meta decidiu derrubar nesta quarta-feira (23) a página no Instagram do programa “Revelando”, que nesta semana exibiu a melhor radiografia, com narração de Fábio Porchat, das relações entre o Banco Master, a Igreja Batista da Lagoinha e o bolsonarismo.
O sucesso do episódio "Grandes Igrejas, Master Negócios" foi tamanho que a publicação alcançou, só na página do Instagram, mais de 6 milhões de visualizações. Não à toa: este é um dos vídeos mais esclarecedores já publicados sobre a gênese da maior fraude bancária da história.
A página voltou ao ar no mesmo dia, também sem qualquer explicação.
A derrubada serviu para provocar ainda mais frisson em torno da reportagem/documentário – para desespero dos personagens citados, como Daniel Vorcaro, André Valadão, Fabiano Zettel, Nikolas Ferreira, Flávio Bolsonaro e até Viviane Barci de Moraes.
Até agora a empresa de Mark Zuckerberg não deu qualquer justificativa para a medida. Disse apenas que o vídeo feria as regras da plataforma. Só não citou quais. Nem se a remoção atendia a algum pedido dos atingidos.
Esse é o problema quando a ágora do debate público migra para uma plataforma privada, com interesses privados e alinhamentos políticos subentendidos.
Um dia antes, o ministro Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, atendeu a um pedido de Flávio Bolsonaro e mandou o presidente Lula tirar do ar um vídeo publicado em 3 de setembro. O tema da peça também era o caso Master, citado pelo presidente como “o maior roubo da história do Brasil”.
“Roubaram milhões de pessoas de muitos estados e municípios. O banqueiro, líder do esquema, tem relações com muita gente poderosa. E foi no meu governo que ele foi preso e seu banco fechado. Há suspeita de políticos e agentes públicos envolvidos. Nossa democracia não pode ficar refém de vazamentos seletivos", disse Lula.
Esse é o problema de deixar a Justiça Eleitoral sob o comando de um dos personagens do escândalo que pode definir a eleição.
O presidente do TSE é suspeito de receber benefícios, diretos, indiretos e indiscretos, do dono do Banco Master, que tentou cooptar família e pessoas próximas do ministro, além do próprio, quando os cascos da instituição já estavam cheios de furos.
Num caso como no outro, a margem de contestação é mínima. Vence quem mais tem interesse em deixar o escândalo fora do centro das atenções. Até agora, o resultado foi o oposto. Toda censura é burra.