
Pesquisa Nexus divulgada nesta segunda-feira (31) mostra que o presidente Lula (PT) oscilou dois pontos para baixo mas terminaria à frente dos adversários no primeiro turno. O petista somava 41% dos votos na rodada anterior e agora aparece com 39%.
Flávio Bolsonaro (PL) tinha 36% e hoje tem 33%.
O principal beneficiário do princípio de desidratação é Augusto Cury, candidato do Avante que tenta ganhar os votos de quem não quer nem Lula nem Bolsonaro – pai, filho, irmão, quem seja.
Cury avançou de 8% para 11% das preferências, o que o consolida como principal alternativa aos dois principais postulantes – para desespero de Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão), que se estapeavam pelo posto que em outras disputas já foi de Ciro Gomes (PDT) e Marina Silva (Rede).
Eles não herdam os votos dessa ala por se parecer demais com o postulante da extrema-direita. Cury, equanto se equilibrar na fama de candidato moderado, forasteiro da política que só quer passar para o eleitor o que ensina nos livros, tende a se beneficiar da rejeição dos candidatos do PT e do PL. E eles tendem a se desgastar à medida que se matam na propaganda eleitoral.
Oura surpresa da pesquisa é também uma contradição.
O levantamento mostra que Caiado, se chegar ao segundo turno, tem tantas condições de disputa quanto Flávio. O candidato do PSD soma 44% dos votos em um eventual confronto com o petista, que teria 45%. O senador tem 45%, contra 46% do presidente.
O problema para Caiado é chegar à segunda fase. Ele tem apenas 5% das preferências no primeiro turno, e depende do desgaste do Zero Um para limpar o caminho e se tornar um candidato viável.
Por enquanto a estratégia é esperar sentado e ver o que sobra na guerra declarada entre PT e PL no pelotão de frente. Se ela for efetiva na tarefa de desconstrução do Zero Um, ele se beneficiaria e aglutinaria apoio de setores hoje desconfiados em relação a Flávio – mas que aperta 22 porque é o que tem.
Para isso, conta que não passe de marola o princípio de fenômeno em torno de Augusto Cury. Neste caso, veremos uma guerra no segundo escalão da campanha nas próximas campanhas. E aí quem está acima é que agradece.