Messi marca e se torna o maior artilheiro da história da Copa do Mundo
Reprodução/X @Argentina
Messi marca e se torna o maior artilheiro da história da Copa do Mundo


Lembro até onde eu estava em 30 de junho de 2018. Era um dia frio e eu olhava a tela da TV de um aniversário infantil com um sentimento conflitante que me é recorrente desde que Lionel Messi começou a dar os primeiros passos em campo.

Torcer para a Argentina? Conta outra. Mas como torcer contra o Messi? Como tirar os olhos da tela enquanto ele sai quebrando as linhas e costelas adversárias com dribles curtos como se ainda jogasse futebol de salão?

Não era uma pergunta que precisei responder na hora. Com Messi em branco, a França venceu a Argentina por 4 a 3 com dois gols de Kylian Mbappé. Foi, na verdade, um alívio.

Dali a alguns dias Mbappé seria campeão do mundo com os Bleus marcando gol também na final. Tinha só 19 anos. O reinado parecia ter trocado de lugar.

Messi, aos 31, se despedia da Copa como quem mantém uma velha maldição. O Zico, pelo Brasil, sabe bem como é.

“Já era pra ele, nunca vai ganhar uma Copa”, pensei comigo. 

Na próxima ele estaria com 35 anos. Um matuzalém para os padrões futebolísticos. Messi seria para sempre a marca de uma seleção ótima, mas derrotada. Incapaz de botar a América do Sul no centro do mapa como fez Maradona em 86.

Pois na Copa de 2022, quatro anos depois, que Messi reencontrou a França de Mbappé. Um marcou dois. Outro marcou três. E, lá e cá, da melhor final da história das Copas só um podia sair campeão. Deu Argentina. Deu Messi.

Que bela aposentadoria das Copas, da seleção, do futebol. Não? Não.

Quatro anos depois, aos 38 anos, quase 39, ele volta para se tornar o maior artilheiro da história dos mundiais. Marcou os cinco primeiros gols da Argentina numa chave que prometia encrenca. Contra a Argélia, foi lá, fez três gols, e resolveu. Contra a Áustria, mesmo com um pênalti desperdiçado, voltou lá, marcou mais duas vezes e resolveu. De novo. 

Com 18 gols (eram 13 há uma semana), passou Müller, passou Ronaldo, passou Mbappe, que tinha acabado de passar Messi. E passou Klose, o último que faltava da lista. O viés é de alta.

Bela despedida das Copas, da seleção, do futebol. Com ou sem título. A despedida como o maior da história. Eu disse isso? Calma. Tem Copa ainda. Tem 2030 ainda. Messi terá apenas 42 anos.

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