Tentáculos da maior fraude bancária do país são maiores do que se imagina
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Tentáculos da maior fraude bancária do país são maiores do que se imagina

Imagine só, em um país distante daqui, que o governador de um estado tenha autorizado a maior chacina da história para desmontar uma quadrilha de traficantes.

E que o mesmo governador tenha atuado para manter de pé uma refinaria cheia de irregularidades e suspeitas envolvendo um grupo de traficantes rival – e que cresceu tanto a ponto de as drogas serem só a ponta de um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro envolvendo postos de gasolina e outros serviços.

Agora imagina que, em outro estado, a polícia tenha localizado a lavanderia desse dinheiro no coração do sistema financeiro do país.

Lá, um fundo de investimentos estava envolvido até o pescoço no esquema investigado, e seu dono, até então considerado um “investidor arrojado”, tenha deixado a companhia para submergir.

Meses depois o mesmo empresário virou alvo de uma operação que tinha como foco principal um banco suspeito de promover a maior fraude financeira do país. Tudo na casa dos bilhões.

O banco recebeu aportes bilionários de fundos sob investigação, inclusive aquele suspeito de atuar como lavanderia de traficantes. 

A vantagem é que o dono deste banco tinha contatos e amigos em todos os Poderes da República. E prometia aos correntistas um retorno financeiro das aplicações bem maior do que pagava o mercado.

Quando o lastro estourou, os donos acionaram os amigos e colocaram o banco à venda. Um governador matou no peito e colocou um banco estadual como possível comprador.

(Outro, aquele que manda matar traficantes de grupo rival e protege a refinaria investigada, ficou sem ter como explicar por que abriu as portas de seu governo para crédito consignado aos servidores a um banco já em rota de colisão).

O Banco Central desse país hipotético barrou a venda suspeita e se tornou alvo de pressão até do tribunal de contas, loteado por políticos e amigos de políticos incomodados com a lupa sobre o banco favorito.

Um dia a polícia vai às ruas para impedir que os donos e amigos dos donos do banco se desfaçam de bens e propriedades para salvar a própria pele. Entre os alvos estava novamente o ex-dono do fundo de investimento suspeito de ligação com o tráfico.

A operação ajuda a entender o tamanho da encrenca que começa a ser revelada. Envolve banqueiros, políticos e, ao que tudo indica, os chefes de uma organização criminosa infiltrada até no Judiciário deste país hipotético. Se seguir o dinheiro, não sobra um. 

*Este texto não reflete necessariamente a opinião do Portal iG

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