Lula confirma adiamento de acordo entre Mercosul e União Europeia

Assinatura estava prevista para ser realizada durante a cúpula em Foz do Iguaçu neste sábado (20); agora a expectativa é concluir tratado em janeiro

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e a Presidente da Comissão Europeia, Ursula Von Der Leyen
Foto: Reprodução/ Flickr / Palácio do Planalto
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e a Presidente da Comissão Europeia, Ursula Von Der Leyen

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou, neste sábado (20), o adiamento da assinatura do acordo de livre comércio entre a União Europeia (UE) e o Mercosul, bloco formado por Argentina, Brasil, Bolívia, Paraguai e Uruguai, que estava previsto para ocorrer hoje.

A declaração ocorreu durante discurso de abertura da 67ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul e Estados Associados, realizada em Foz do Iguaçu, no Paraná. O encontro marca o fim da presidência brasileira do bloco, exercida durante o segundo semestre de 2025, e que no próximo semestre passa a ser presidida pelo Paraguai.

O adiamento contraria a expectativa de que o tratado fosse assinado ainda neste sábado durante a cúpula, criando assim a maior área de comércio do mundo.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, já havia informado na quinta-feira (18) aos líderes europeus reunidos em uma cúpula em Bruxelas, na Bélgica, que a assinatura do acordo com o Mercosul seria adiada.

Em seu discurso deste sábado, Lula declarou: “Tínhamos em nossas mãos a oportunidade de transmitir ao mundo mensagem importante em defesa do multilateralismo e de fortalecer nossa posição estratégica em um cenário global cada vez mais competitivo. Mas, infelizmente, a Europa ainda não se decidiu. Líderes europeus pediram mais tempo para discutir medidas adicionais de proteção agrícola".

Segundo ele, agora a expectativa está voltada para que o acordo seja assinado em janeiro.

“Recebi, ontem (19), dos presidentes da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e do Conselho Europeu, António Costa, carta em que ambos manifestam a expectativa de ver o acordo aprovado em janeiro. Sem vontade política e coragem dos dirigentes não será possível concluir uma negociação que já se arrasta por 26 anos. Enquanto isso, o Mercosul seguirá trabalhando com outros parceiros” , contou.


O presidente também esclareceu os motivos que levaram ao adiamento da assinatura do acordo, afirmando que a decisão esteve relacionada a questão da própria União Europeia. Segundo ele, o impasse decorreu de debates internos sobre a distribuição de recursos para a agricultura , e não de uma rejeição ao acordo com o Mercosul.

“Todos nós sabíamos a posição da França, histórica. Na última semana surgiu um problema com a primeira-ministra Meloni, da Itália (Giorgia Meloni). Não um problema com um acordo firmado entre Mercosul e União Europeia, mas de um acordo firmado entre a própria União Europeia. A Meloni dizia que a distribuição de verba para a agricultura na União Europeia estava prejudicando a Itália. E ela, então, estava com um problema com os produtores agrícolas. Ela não poderia assinar nesse momento o acordo” , explicou.

Lula  também relatou uma conversa telefônica com a primeira-ministra da Itália e afirmou que, apesar da resistência da França, os países europeus seguem comprometidos em avançar com o acordo.

"Eu tive uma conversa por telefone com ela (Giorgia Meloni). Ela disse textualmente que no começo de janeiro ela estará pronta para assinar. Se ela estiver pronta para assinar e faltar só a França, segundo a Ursula von der Leyen e o Antonio Costa, não haverá possibilidade de a França, sozinha, não permitir o acordo. O acordo será firmado e eu espero que seja assinado, quem sabe, no primeiro mês da presidência do Paraguai, pelo companheiro Santiago Peña (presidente paraguaio)".

Leia a íntegra da carta enviada a Lula pelos Chefes da União Europeia (EU), segundo a CNN:

" Gostaríamos de expressar nossa sincera gratidão por sua liderança e por seu firme compromisso pessoal com o relacionamento entre a União Europeia e o Mercosul. Seu engajamento e sua visão foram fundamentais para manter o impulso e a confiança em um momento decisivo para nossa parceria.

Gostaríamos de reafirmar nosso compromisso compartilhado com a assinatura do Acordo de Parceria UE–Mercosul e do Acordo Comercial Interino, que constituem a base central para o fortalecimento adicional dos laços políticos, econômicos e estratégicos entre nossas duas regiões. Esses acordos enviam um sinal poderoso de nossa determinação coletiva em aprofundar a cooperação com base em valores compartilhados, confiança mútua e interesses de longo prazo.

Embora, lamentavelmente, não seja possível avançar com a assinatura dos acordos em 20 de dezembro, uma vez que os procedimentos internos no Conselho necessários para autorizar a assinatura ainda estejam em fase de conclusão, estamos trabalhando ativamente para finalizar essas etapas sem demora. Nesse contexto, gostaríamos de reafirmar nosso firme compromisso de prosseguir com a assinatura do Acordo de Parceria UE–Mercosul e do Acordo Comercial Interino no início de janeiro, em um momento a ser acordado entre as respectivas partes. Estamos confiantes de que levar esse processo a uma conclusão rápida evidenciará nossa determinação compartilhada e proporcionará clareza e segurança a todas as partes interessadas".