O governador de SP, Tarcisio de Freitas
Gabriel Barros / Portal iG
O governador de SP, Tarcisio de Freitas

Tarcísio de Freitas tocou música para os ouvidos da plateia durante um evento da G4 Educacional, grupo fundado pelo empresário Tallis Gomes. 

Em vídeo postado no domingo, ele elencou uma série de platitudes para fazer o Brasil deixar de ser um país de commodities e se tornar um peso-pesado da economia global. A tarefa era simples: bastava trocar o CEO.

CEO, como se sabe, é a sigla que define o diretor-executivo de uma empresa. A do Brasil seria o presidente Lula.

Tarcísio não admite que está na pista da sucessão presidencial. Testa, aqui e ali, a aderência do discurso. Mas as cutucadas no provável adversário em 2026 mostra onde ele anda com a cabeça. O governador de São Paulo só pensa naquilo. E não é o Palácio dos Bandeirantes.

A referência ao mundo corporativo tem dois riscos embutidos. Um é a retomada de uma ideia de que o Brasil não precisava de políticos pra sair do atoleiro, em meados dos anos 2010. Precisava de gestores. João Doria, na época uma aposta do PSDB, puxava a fila de empresários que diziam saber como aplicar à máquina pública o receituário pra fazer uma empresa levantar. 

O problema é esse. Uma empresa tem, por natureza, a busca dos lucros. Política pública é outra história.

Tarcísio tenta reciclar o discurso de que o problema do Brasil é a política. Como se não fosse, ele mesmo, um político. Como se o próprio padrinho, Jair Bolsonaro, tivesse feito alguma coisa da vida se não se pendurar na máquina pública desde que se elegeu vereador no Rio e pulou de trampolim em trampolim até chegar ao Planalto e instalar cada filho em um cargo eletivo.

Outro erro de Tarcísio é quase um ato falho.

O anfitrião da tarde, Tallis Gomes, era o CEO da G4 Educação, grupo que ajudou a fundar, até setembro de 2024. Deixou o posto por dizer a seguinte frase: “Deus me livre uma CEO mulher”.

Não foi a única fala polêmica do empresário influencer, que costumava dizer em entrevistas que não contratava “esquerdistas”.

Tarcísio perdeu a chance de ficar quieto. E de atrair o voto de quem, com razão, se ofendeu com a fala do seu anfitrião – ele sim o CEO que precisou ser demitido por não entender o mundo onde habitava.

*Este texto não reflete necessariamente a opinião do Portal iG

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