Começa nesta terça-feira, dia 2 de setembro, o julgamento de Jair Bolsonaro (PL) e outros sete réus do chamado núcleo crucial da trama golpista.
Eles são acusado de planejar um golpe de Estado após a derrota nas urnas em 2022.
As evidências são muitas.
Bolsonaro nunca reconheceu a vitória do adversário, o presidente Lula (PT).
Em seu primeiro pronunciamento após a disputa, disse considerar justa a revolta de seus eleitores.
Ele passou quatro anos de mandato colocando em dúvida a lisura das urnas eletrônicas. Era a vacina (essa sim ele topou tomar) diante de uma eventual derrota.
Parte do mito em torno dele – e de qualquer líder de extrema direita – , afinal, era atravessar a história como indestrutível e invulnerável (“imbrochável”, ele chegou a dizer). Não existe derrota no caminho dos ungidos.
Tudo para confirmar a profecia bíblica de que o destino dos líderes do povo eleito é sempre a vitória. A não ser que alguém coloque pregos e parafusos no caminho – exatamente o que eles acusam o Tribunal Superior Eleitoral de fazer sob o comando de Alexandre de Moraes naquela disputa.
Mauro Cid, ex-ajudante de ordens da Presidência, acusa o ex-chefe de tramar uma maneira de se manter no poder à força em diversos encontros com os chefes das Forças Armadas entre novembro e dezembro, quando se negou a passar a faixa para o sucessor.
O ex-presidente nega o plano golpista, mas não desmente que se resumiu com os oficiais em tempos de paz quando deveria trabalhar e pensar na transição.
Em dezembro, Bolsonaro saiu da toca e conclamou os seguidores a fazerem “alguma coisa” para salvar o Brasil antes que fosse tarde demais.
Os seguidores entenderam e quebraram tudo o que viram pela frente nas sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023.
Isso já é batom suficiente numa cueca que não conseguiu esconder.
Bolsonaro será condenado.
Os demais réus, muito provavelmente, também.
Ele sabe disso. As defesas sabem disso. Os adversários sabem disso.
E os Estados Unidos também sabem.
Para Donald Trump, o mentor da direita global, é fundamental desgastar o governo Lula para chegar a 2026 com planos de instalar por aqui um preposto dos interesses da Casa Branca.
Bolsonaro era o plano perfeito: se Trump o mandasse se jogar da janela do quinto andar, ele se disporia a pular do oitavo.
Lula não aceitou ser emparedado por Trump nem quando o tarifaço era só uma ameaça, um bode na sala que o governo brasileiro contesta nos tribunais norte-americanos e internacionais e pelo princípio da reciprocidade – nunca, ao menos nesta gestão, em troca da soberania nacional.
Trump não conseguiu dobrar nem o governo nem a Justiça brasileira.
E representantes de sua administração já deixaram ventilar a notícia de que vão dobrar a aposta e anunciar novas sanções conforme o julgamento avança.
De terça até o dia 12, quando termina o julgamento, quem se preocupa minimamente com o Estado democrático de Direito – aquele depredado por ordem de Bolsonaro no 8 de janeiro – vai ter que trincar os dentes.
Nunca o sistema político e jurídico do Brasil esteve sob tanta pressão.
*Este texto não reflete necessariamente a opinião do Portal iG