Deputado Junior Bozzella (PSL-SP)
Agência Câmara
Deputado Junior Bozzella (PSL-SP)

O vice-presidente do PSL, deputado federal Júnior Bozzella, afirmou que Jair Bolsonaro (sem partido) "fere a moralidade" e "sequestrou a pauta da Lava Jato" durante as eleições. Em tom crítico, o parlamentar listou situações que ocorreram durante o governo e colocariam, segundo ele, o presidente em situação "nada confortável", indicando "malversação do dinheiro público". O deputado federal fez uma autocrítica pelo voto no presidente, e apontou ter sido vítima de estelionato eleitoral.

"A partir do momento que o presidente é conivente com uma série de ações que envolvem o governo, ou que antecedem a sua participação na presidência - ele teve 30 anos no Parlamento, e a gente conseguiu identificar só agora, no transcorrer do mandato, porque as coisas vieram as claras, uma série de improbidades, intercorrências. A questão das rachadinhas, funcionários fantasmas, todo esse mecanismo, essa maneira de atuar, coloca ele em uma condição nada confortável", disse, em entrevista ao UOL News.

"Aquela pauta que ele sustentou no processo eleitoral, onde, na minha opinião, o herói nacional não era o Bolsonaro, mas sim o Sergio Moro, Bolsonaro sequestrou a pauta da Lava Jato. Catalisou o discurso de que ele, apesar de ser deputado federal há 30 anos, fosse outsider, o caçador de corruptos. As palavras podem mentir, mas as atitudes falam a verdade, e as atitudes do presidente da República o colocam nesse hall de pessoas que podemos considerar que não são republicanas, corretas, e sim aquelas que praticam a malversação do dinheiro público", completou.

O parlamentar, que defende o impeachment de Bolsonaro, avalia que já é possível classificar o presidente como um bandido.

"Uma pessoa que fere o princípio da moralidade, e que não corresponde aquilo que a Constituição e o Código Civil e Penal determinam, incorre em um processo de ser considerado um bandido. Entendo que quem prevarica, rouba vacina, quem não toma atitudes necessárias, está sujeito a ser considerado um bandido", ponderou.

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Para Bozzella, indícios de irregularidades como as rachadinhas, e as medidas tomadas durante os três anos de governo "maculam" o "sistema bolsonarista".

"O sistema bolsonarista é maculado por todas as atitudes que o presidente da República nos mostrou nos últimos meses. O enfraquecimento do combate a corrupção, maneira como o Flávio Bolsonaro trabalhou para retirar as assinaturas da CPI da lava toga, então esse protecionismo às questões que envolvem o pacote anti-crime, a delação premiada, a sanção do juiz de garantias e quando ele tirou o COAF do Ministério da Justiça. Tudo isso demonstrou falta de compromisso com a justiça e a legalidade."

Voto em Lula

Na entrevista, Bozzella também afirmou que os governos de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) "não foram tão ruins assim", e que optaria pelo petista em um eventual segundo turno contra Bolsonaro.

"Bolsonaro nos faz reconhecer a excelência de um Temer e que o governo Lula não foi tão ruim assim", comentou.

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