João Doria e FHC
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João Doria e FHC

A posição do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso sobre as regras das prévias virou motivo de polêmica em reunião nesta terça-feira da cúpula do PSDB para definir o modelo da escolha interna para o candidato do partido ao Planalto em 2022.

grupo do governador João Doria queria que o formato da disputa tivesse maior participação de filiados do que de políticos com mandato. A proposta, no entanto, era rejeitada pelos outros três candidatos: o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite , o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) e o ex-prefeito de Manaus Arthur Virgílio (PSDB-AM).

Num dos momentos mais aguardados da reunião, o ex-senador José Anibal (PSDB-SP) leu uma mensagem em que Fernando Henrique se manifestava contrariamente à proposta de Doria.

Houve então um debate sobre a possibilidade do voto ser computado contra Doria. Foi então que o presidente do diretório estadual de São Paulo, Marco Vinholi , que é aliado do governador, pediu a confirmação do apoio do ex-presidente. Houve um impasse e o presidente nacional do PSDB, Bruno Araújo , ligou para Fernando Henrique e confirmou a posição contrária a São Paulo.

Pouco depois, segundo tucanos ligados à direção nacional e de diversos estados, Vinholi voltou ao assunto e disse que tinha uma mensagem em que Fernando Henrique havia respondido naquele instante e que se manifestava favorável ao pleito de São Paulo. Ele foi sucedido pelo próprio governador Doria, que acompanhava a reunião remotamente, e mostrou a mensagem de Fernando Henrique num celular por meio da tela.

Ao final da discussão, o senador Tasso interveio e pediu que o nome do ex-presidente não fosse mais o centro daquela discussão. Ele foi atendido e o voto de Fernando Henrique não foi computado. Situação semelhante ocorreu com o voto do senador José Serra (PSDB-SP). O grupo de Doria informou que tinha uma manifestação favorável de Serra. Em seguida, um assessor do senador questionou a posição e o voto também não foi computado.

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Vinholi minimizou o episódio e explicou que questionou a posição de Fernando Henrique lida pelo ex-senador Zé Anibal em seu celular por não ser comum alguém enviar voto por mensagem.

— O fundamental era saber a posição do ex-presidente Fernando Henrique. Não há motivos para polêmicas.

A exposição da mensagem de Fernando Henrique gerou uma série de críticas de inabilidade política nos bastidores. A maior parte preferiu o silêncio. Já adversários como os deputados mineiros Aécio Neves e Paulo Abi-Aeckel falaram abertamente.

— Lamento que o ex-presidente Fernando Henrique tenha tido sua manifestação explícita de voto contestada. Isso jamais havia ocorrido antes no seio do PSDB — afirma Aécio.

— Houve, sim, um constrangimento ao se colocar em dúvida o voto que Fernando Henrique enviou pelo ex-senador José Anibal — diz Abi-Aeckel.

Vinholi nega que tenha ocorrido constrangimento:

— Não houve qualquer constrangimento. Era apenas um debate no partido.

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