Suposta funcionária fantasma de Carlos Bolsonaro ia à Câmara só uma vez no mês

Ministério Público do Rio de Janeiro vê indícios de funcionários fantasmas desde 2001 no gabinete do vereador Carlos Bolsonaro, filho do presidente

Diva da Cruz Martins, ex-funcionaria de Carlos Bolsonaro investigada pelo MPRJ
Foto: Reprodução/Globonews
Diva da Cruz Martins, ex-funcionaria de Carlos Bolsonaro investigada pelo MPRJ

Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) encontrou  indícios de contratação de funcionários fantasmas no gabinete do vereador  Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) desde o primeiro mandato dele na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, em 2001. 

No inquérito que investiga a suposta contratação de funcionários fantasmas no gabinete de Carlos Bolsonaro, o MPRJ produziu um relatório, divulgado nesta sexta-feira (12) pela Globonews, em que afirma que “há indícios, ao menos em tese, do crime de peculato na contratação de servidores de Carlos Bolsonaro ”.

No relatório, os promotores também destacaram que havia “servidores com idade elevada, e que moram em outros municípios e até em outros estados, distantes de onde é exercido o mandato do vereador Carlos Bolsonaro". Para eles, isso “inviabilizaria o cumprimento das funções de assessoria parlamentar”.

Desde julho de 2019, os promotores já ouviram ao menos oito pessoas envolvidas no caso. Entre esses, havia funcionários que não iam a meses na Câmara e que não tinham crachá.

Uma dos investigados ouvidos foi  Diva da Cruz Martins , ex-funcionaria de Carlos Bolsonaro de 72 anos. Ela é moradora de Nova Iguaçu e trabalhou no gabinete do vereador de 2003 a 2005, no primeiro e segundo mandatos do filho do presidente.

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A idosa recebia um salário de R$ 3 mil para  “comparecer à Câmara de Vereadores uma vez por mês, buscar uns folhetos e distribuir às pessoas no Centro de Nova Iguaçu”, segundo disse em depoimento aos promotores. Apesar disso, ela não sabia qual era o título do seu cargo. 

Aos promotores, ela disse que quando ia buscar os folhetos, aproveitava para assinar o ponto. Mas um documento da Câmara, com a frequência dos servidores de Carlos Bolsonaro, mostra que a idosa nunca foi ao local. 

Os promotores do MPRJ entraram com um pedido para abrir um procedimento investigatório criminal sobre o caso, que foi aceito pela Subprocuradoria-Geral de Justiça do Rio.

O advogado de Carlos Bolsonaro , Antonio Carlos Fonseca, disse em nota à Globonews que “em razão do sigilo decretado no procedimento, as informações necessárias para comprovar as tarefas desempenhadas pelos funcionários desde 2001 estão sendo apresentadas ao MP, que inclusive já foi comunicado que o parlamentar está à disposição e empenhado em esclarecer os fatos”.