rodrigo maia
Maryanna Oliveira/Câmara dos Deputados
Presidente da Câmara, Rodrigo Maia, disse que não é hora de discutir saída de Bolsonaro da presidência

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), descartou a abertura de um processo de afastamento do presidente Jair Bolsonaro neste momento. Na avaliação de Maia, o foco do Congresso e dos demais poderes deve ser o combate aos efeitos provocados novo coronavírus. A afirmação foi feita durante uma entrevista à Rádio Gaúcha na manhã desta quarta-feira.

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"Não é hora de discutir impeachment . É hora de discutir a união do Brasil, de salvar vidas, de salvar empregos . Eu como sempre fui contra as manifestações no período da pandemia, não contra manifestação, mas contra aglomeração neste momento, eu também não posso ser a favor de novas manifestações. Eu acho que neste momento, as aglomerações vão gerar uma aceleração da contaminação e perdas de vidas", disse ao ser questionado sobre os protestos que pedem a saída do presidente.

Maia lembrou que o Brasil deve atingir a marca de 40 mil mortes  em breve e defendeu unificar as ações para passar por esse “momento difícil” sem pensar em 2022.

"É muito importante que a gente unifique o que nos une nesse momento tão difícil para que a gente possa passar por esse momento. O segundo momento, o movimento contra o presidente Bolsonaro pode crescer ou não, o movimento pró Bolsonaro pode crescer ou não, isso é outro momento. O que a gente não pode é estar olhando 2022 em meio a uma pandemia ".

Perguntado se a separação dos poderes está sendo respeitada, Maia afirmou, sem citar nomes, que alguns “estão derrapando” e ultrapassando os limites. Sobre as críticas de que o Supremo Tribunal Federal (STF) tem ultrapassado os limites, como a feita pelo vice-presidente Hamilton Mourão, o presidente defendeu que esses questionamentos sejam feitos ao plenário da Corte, conforme prevê a Constituição.

"Do ponto de vista concreto, todos estão respeitando. No discurso alguns estão derrapando, falando além do que deveriam, que é o seu papel. Se há a ideia do vice-presidente Mourão que o Supremo está passando dos limites, cabe recurso".

O presidente da Câmara afirmou também que cabe ao Executivo fazer a coordenação do combate à pandemia e cobrou do governo federal atitudes que unifiquem as ações contra a doença.

"No julgamento do Supremo sobre os limites de cada poder, ficou muito claro que o poder de coordenação era do governo federal. Cabe a gente pedir ao governo federal que melhore a sua articulação, a sua coordenação em relação às ações, todas as ações do governo, mas principalmente as de enfrentamento ao coronavírus ".

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