Bolsonaro diz que não pretende sair do PSL 'de livre e espontânea vontade'
Alan Santos/PR - 8.10.19
Bolsonaro diz que não pretende sair do PSL 'de livre e espontânea vontade'

Um dos principais motivos para a insatisfação de deputados e do presidente da República, Jair Bolsonaro, com o presidente nacional do PSL , Luciano Bivar (PE), está na alteração de trechos do estatuto da legenda. Parlamentares aliados ao presidente, que estiveram em reunião no Palácio do Planalto para apoiá-lo, acreditam que a mudança resultará em uma concentração ainda maior de poder nas mãos de Bivar.

Aprovada no mês passado, a mudança determina que o Diretório Nacional terá 153 integrantes titulares, 52 a mais do que na versão anterior, e 51 suplentes, 18 a mais do que o momento atual. Os atuais suplentes serão automaticamente transformados em titulares em função da criação de novas vagas. Com isso, a avaliação é a de que o presidente nacional do PSL terá ainda mais controle sobre os rumos do partido.  E que não haverá espaço para a influência de Bolsonaro no processo eleitoral de 2020.

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A posse dos suplentes como titulares e a eleição de novos integrantes já tem data marcada: 18 de outubro, em Brasília, na sede do partido.

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Bolsonaro e aliados sustentam que há um acordo com Bivar desde a eleição de 2018 para a reformulação das diretrizes da sigla e a criação de mecanismos de transparência na prestação de contas. Parlamentares e o presidente da República, entretanto, dizem foram surpreendidos no início da semana com pequenas alterações elaboradas por Bivar no estatuto, sem consulta aos principais quadros da legenda.

Essas alterações foram apresentadas ao Tribunal Superior Eleitoral ( TSE ) em janeiro, aprovadas no dia 5 do mês passado pela própria Justiça Eleitoral, a quem compete deliberar sobre o assunto, e tornadas públicas apenas na última segunda-feira com a publicação do Diário Oficial do TSE.

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Segundo deputados do PSL ouvidos pelo GLOBO, Bolsonaro ficou revoltado com o ocorrido. Desde novembro do ano passado, o deputado Luiz Philippe de Orléans e Bragança (PSL-SP) trabalha na reformulação do estatuto. Ele analisou as diretrizes de partidos em vários países e discutiu longamente o assunto com Bivar. Mas foi ignorado. 

Para pressionar Bivar, deputados do PSL dizem que a direção da legenda não presta contas sobre os R$ 8 milhões mensais que o partido recebe do Fundo Partidário. A última satisfação, de acordo com um deles, veio em um documento de word enviado pelo Whatsapp, o que é considerado "uma piada".

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