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Ele foi preso no apartamento funcional de sua mulher, a deputada federal Dulce Miranda (MDB-TO), que não é investigada na operação

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Silvio Santos / Agência O Globo
Marcelo Miranda comandou estado em três mandatos diferentes

A Polícia Federal prendeu preventivamente na manhã desta quinta-feira (26), em Brasília, o ex-governador do Tocantins , Marcelo Miranda . Ele foi preso no apartamento funcional de sua mulher, a deputada federal Dulce Miranda (MDB-TO), que não é investigada na operação contra atos de corrupção . Os federais investigam um esquema que teria causado prejuízo de R$ 300 milhões aos cofres públicos. O pai do ex-governador, Edimar Brito Miranda, e seu irmão Brito Miranda Júnior também são alvos dos mandados de prisão.

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A operação, denominada 12º Trabalho, tem como objetivo apurar um “sofisticado esquema para a prática constante e reiterada de atos de corrupção, peculato, fraudes em licitações, desvios de recursos públicos, recebimento de vantagens indevidas, falsificação de documentos e lavagem de capitais; sempre com o objetivo de acumular riquezas em detrimento dos cofres públicos”.

Estão sendo cumpridos 11 mandados de busca e apreensão e três de prisão preventiva. Os mandados estão sendo cumpridos em cidades de Tocantins, Goiás e Pará. Miranda inicialmente era procurado em Tocantins , mas a PF acabou localizando o ex-governador em Brasília.

As investigações apontam que o grupo criminoso continuava realizando operações de venda de gado e de imóveis para lavagem dinheiro, além de suspeitas de atrapalhar as investigações. É um desdobramento da Operação Reis do Gado , deflagrada anteriormente em Tocantins.

Em março do ano passado, Miranda e sua então vice-governadora tiveram o mandato cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (  TSE  ) sob acusação de ter cometido  abuso de poder econômico  na campanha de  2014, foi a segunda cassação de Miranda , eleito por três vezes governador do estado. A primeira vez em que foi cassado, em 2009, Miranda havia sido condenado por abuso de poder político nas eleições de 2006, ao disputar a reeleição . 

Em 2010, Miranda também foi eleito senador da República, mas teve seu registro cassado com base na Lei da Ficha Limpa .

A decisão atendeu ao recurso do Ministério Público Eleitoral que acusava os dois políticos de terem captado R$ 1,5 milhão para caixa dois na campanha por meio de um empréstimo fictício.

Miranda é investigado em inquérito no Superior Tribunal de Justiça ( STJ ) por suspeitas de corrupção , lavagem de dinheiro e fraude em licitações, junto com o ex-procurador-geral de Justiça do Tocantins, Clenan Renaut Pereira, que decidiu pedir aposentadoria, o que foi concedido pelo Ministério Público (MP).

O inquérito determinado pelo STJ investigou uma "possível atuação criminosa" de Miranda; do ex-procurador-geral de Justiça do estado; do filho dele, Renan Pereira; e do ex-secretário de Infraestrutura do governo de Miranda, Sérgio Leão. O pedido partiu do Ministério Público Federal (MPF), que ainda solicitou ao STJ a instauração de mais seis inquéritos, com outros investigados, por suspeitas relacionadas à Operação Ápia. O ministro Campbell determinou a abertura dos sete inquéritos.

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O caso envolvendo o procurador-geral de Justiça diz respeito à Operação Convergência, uma das fases da Operação Ápia. A Convergência foi deflagrada em agosto do ano passado. A Polícia Federal (PF) cumpriu mandados de busca e apreensão na casa e no gabinete de Renaut. Numa fase anterior da Ápia, o filho do procurador-geral chegou a ser preso pela PF. 

O esquema investigado envolve supostas fraudes em licitações de terraplanagem e pavimentação asfáltica no Tocantins , com desvios na ordem de R$ 200 milhões. As suspeitas são de que obras de infraestrutura rodoviária geraram créditos indevidos a empresários.