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Presidente deve reassumir seu cargo apenas na quarta-feira. Além disso, viagem para Nova York foi adiada em um dia e será na segunda, dia 23

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Alan Santos/PR - 7.9.19
Bolsonaro durante festa desfile do 7 de setembro

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) teve alta e deixou o hospital Vila Nova Star, em São Paulo, por volta das 15h desta segunda-feira (16). O presidente se internou na unidade hospitalar, localizada na Vila Nova Conceição, no dia 7 de setembro e foi submetido no dia seguinte à cirurgia para correção de uma hérnia incisional.

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Minutos antes de deixar o hospital, o advogado Frederick Wassef deixou o local em uma BMW branca sem placas — o criminalista defende o filho mais velho de Bolsonaro , senador Flavio Bolsonaro, em investigação que apura suspeitas de lavagem de dinheiro e que está paralisada por decisão liminar do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli.

Conforme apurou a reportagem, Wassef visitou o presidente e conversou com ele por cerca de 20 minutos no início da tarde. Bolsonaro volta nesta segunda-feira a Brasília, mas só retomará o cargo na quarta-feira. Até lá, o vice Hamilton Mourão segue como presidente em exercício.

O governo também decidiu adiar em um dia a viagem para Nova York , onde o presidente fará o discurso de abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas no próximo dia 24. Anteriormente, o planejamento previa que a viagem fosse feita no dia 22.

Segundo o médico Antônio Antonietto, diretor do Hospital Vila Nova Star, o presidente permanecerá com uma dieta cremosa — semelhante a alimentos para bebês, que não exigem mastigação.

"O presidente veio com uma melhora progressiva, foi aceitando a alimentação oral. A alimentação parenteral endovenosa também foi retirada. Os cuidados agora devem permanecer quando ele sair do hospital", disse Antonietto.

Na sexta-feira, o presidente deverá ser novamente reavaliado pela equipe do gastroenterologista Antônio Luiz Macedo, em outra unidade da Rede D'Or em Brasília.

Para o médico Antônio Luiz Macedo, não deve existir nenhuma limitação tanto para a viagem quanto para o discurso que o presidente fará nos Estados Unidos. A ideia do médico é autorizar o presidente a retornar a dieta comum após o exame que fará em Brasília nesta sexta-feira. Nos próximos dias, Macedo disse que é recomendável que o presidente não faça muito esforço, inclusive para falar.

"Se Deus quiser, daqui a oito dias ele pode fazer discurso à vontade", afirmou.

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Além da recomendação para repouso, o presidente deverá continuar com caminhadas nos próximos dias para auxiliar a retomada dos movimentos intestinais. Bolsonaro tem caminhado nos corredores do hospital nos últimos dias e, no domingo, andou cerca de 3 km somadas as diversas caminhadas durante o dia.

"Ele está com a dieta cremosa como consideramos adequado para ele. Nos pareceu perigoso evoluir já para uma dieta geral. A dieta cremosa tem as calorias necessárias e combinamos que ele poderia ter alta desde que seguisse essa dieta", salientou Macedo.

Assembleia da ONU

A viagem para Nova York será a primeira aparição internacional de Bolsonaro desde a crise deflagrada pelas queimadas na Amazônia que causaram repúdio de outros países, sobretudo de França e Alemanha. A expectativa é que o presidente use o seu discurso para reafirmar a soberania do Brasil frente a países que o presidente e seus auxiliares enxergam como interessados na região. O discurso está sendo produzido, segundo o porta-voz, por vários auxiliares e o próprio presidente, do hospital, direcionou alguns pontos que Bolsonaro deseja abordar.

"O discurso está sendo promovido a várias mãos e o presidente tem sinalizado os tópicos frasais a serem abordados, mas o discurso só estará encerrado quando o presidente se debruçar sobre ele. Ele vem conversando daqui do hospital com as autoridades responsáveis pela confecção do discurso", disse.

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Além da viagem para Nova York, o presidente e sua comitiva, que incluirá o seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), também se reunirão, no Texas, com empresários ligados ao setor militar dos Estados Unidos.

Rêgo Barros não quis explicitar qual o objetivo específico da reunião, mas admitiu que o encontro pode servir para o início de um diálogo comercial entre os países. "O objetivo é o diálogo com esses empresários e também a possibilidade do Brasil de efetuar alguma atividade comercial", afirmou o porta-voz oficial de Bolsonaro .