Moro diz que diretor-geral da PF fica no cargo, mas que 'coisas podem mudar'

Ministro da Justiça afirmou que o delegado Maurício Valeixo tem a sua "confiança" após Bolsonaro ameaçar uma troca no comando da corporação

Foto: Isaac Amorim/MJSP - 22.8.19
Moro diz que diretor-geral da PF fica no cargo, mas que 'coisas podem mudar'

Depois de defender publicamente o chefe da Polícia Federal, delegado Maurício Valeixo , o ministro da Justiça, Sergio Moro, afirmou que o diretor-geral "permanece" no cargo e tem a sua "confiança". No entanto, questionado se não há alguma possibilidade de Valeixo sair, Moro afirmou que "as coisas eventualmente podem mudar". A insatisfação na PF chegou à cúpula da instituição, que ameaça deixar cargos caso o chefe seja afastado, como mostrou o jornal O Globo em reportagem desta quarta-feira.

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"Veja, como eu tenho as várias funções aqui do Ministério da Justiça, as coisas eventualmente podem mudar, mas ele está no cargo, permanece no cargo, tem a minha confiança", afirmou Moro em entrevista ao programa Em Foco , na "GloboNews".

Na semana passada, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) afirmou que ele é “quem manda”, ao comentar a substituição do superintende da PF no Rio. Depois, disse que  ele escolhe o diretor-geral da corporação, rompendo com o discurso de dar “liberdade total” a Moro , usado na época do convite ao ex-juiz para o Ministério da Justiça.

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Os embates com Bolsonaro e as derrotas no campo político são duas fontes de desgaste de Moro no governo. Na semana retrasada, Valeixo quase pediu demissão diante da interferência de Bolsonaro na troca de superintendentes da PF. Um delegado que acompanha o caso de perto disse ao jornal O Globo que o presidente pressionou a direção da PF a substituir imediatamente o delegado Ricardo Saadi, da Superintendência do Rio, por estar descontente com uma investigação.

No último sábado, o mesmo jornal revelou que Bolsonaro mostrou insatisfação com Moro e que tenta, há algum tempo, inviabilizar a presença do ministro do governo . O presidente se irritou com Moro quando soube da movimentação do ministro contra a decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, de proibir investigações iniciadas a partir do compartilhamento de relatórios detalhados do Coaf sem autorização judicial.

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Na última terça-feira, após uma reunião entre ambos pela manhã, o ministro da Justiça trocou afagos com o chefe. Por meio do Twitter, Moro publicou uma mensagem dizendo que sua pasta vai avançar no combate à corrupção “em total alinhamento com a orientação” de Bolsonaro, que respondeu horas depois com uma frase de incentivo. “Vamos, Moro!”.