Tamanho do texto

Irritado com PSOL após evento em defesa de Glenn Greenwald, PT deve deixar de apoiar Marcelo Freixo e ter candidatura própria em defesa do "legado de Lula" no Rio de Janeiro; ex-governadora é favorita a concorrer

Benedita da Silva arrow-options
Marcelo Camargo/ABr
Benedita da Silva pode ser a candidata do PT à prefeitura do Rio de Janeiro


O PT chegou a indicar o apoio a Marcelo Freixo (PSOL) na disputa pela prefeitura do Rio de Janeiro, mas, agora, estuda abandonar a aliança e lançar uma candidatura própria, que seria encabeçada pela ex-governadora Benedita da Silva, hoje deputada federal. Segundo o presidente do PT-RJ, Washington Quaquá, o nome da petista representa "a defesa do legado de Lula".

Outro motivo para o esfriamento da união PT-PSOL ocorreu nesta terça-feira (30), durante um ato de apoio ao jornalista Glenn Greenwald, do site The Intercept Brasil . Petistas afirmam que Cid Benjamin (PSOL) vetou a fala de Benedita da Silva , que pretendia discursar, enquanto Freixo e Jandira Feghali (PCdoB) alternaram falas.

Leia também: PSD quer candidato próprio à prefeitura do Rio; Arolde de Oliveira ganha força

"Além de uma indelicadeza, foi um desrespeito com uma figura icônica do povo brasileiro, que é a Benedita. Não vamos entrar numa aliança onde uns acham que são mais que outros" disse Quaquá.

Freixo , por sua vez, afirma que quem controlou a alternância de discursos foi a Associação Brasileira de Imprensa (ABI), responsável pelo evento.

"O ato não foi organizado por mim, pelo PSOL ou pelo PCdoB, mas pela ABI. A ABI me convidou e pediu que eu falasse pelo PSOL. Mas nem eu nem Jandira controlávamos quem poderia ou não falar. Eu não estava na organização, tanto que tive que sair antes do final".

Leia também: Freixo diz que não acredita na ligação de milícias com  a morte de Marielle

Em nota, Cid Benjamin diz que "em momento algum eu ou a ABI participamos da indicação de quem falaria pelos partidos ou entidades que usaram a palavra. E não poderia ser de outra maneira. Seria descabido a ABI convidar uma entidade e querer indicar quem a representa. No caso do orador que falou pelo PT , o partido indicou o ex-deputado Wadih Damous para representá-lo. Foi assim, também, com os demais partidos e entidades. Todos indicaram, sem qualquer interferência da ABI, quem os representaria. Eu apenas anunciei quem falaria por tal ou qual partido, depois de informado pelos companheiros da organização do evento".

Já Wadih Damous, também em nota, diz que foi "designado pela Direção Nacional para representar o PT no ato realizado na ABI, no dia 30/7, em solidariedade ao jornalista Glenn Greenwald. A indicação da presidente Gleisi Hoffman foi justificada pela minha atuação em face da chamada Operação Lava Jato cujos desmandos denunciei desde o início, quase solitariamente, num momento em que Moro e seus procuradores eram quase unanimidade nacional."

Leia também: "Seguir o que determina a lei é difícil", diz secretário de Crivella

Ex-governadora do Rio, Benedita da Silva foi ministra de Lula e frequentemente vai visitar o ex-presidente em Curitiba, onde ele está preso. Nas últimas eleições, a petista conseguiu se reeleger deputada federal.

    Leia tudo sobre: Lula