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Raul Jungmann, primeiro ministro de Segurança Pública do Brasil, acredita que somente uma investigação trará tranquilidade para que o ex-juiz siga fazendo o seu trabalho

Celebração Ministério da Justiça
Isaac Amorim/MJSP
Sergio Moro e Raul Jungmann participaram da celebração do aniversário do Ministério da Justiça


Em um dos eventos comemorativos dos 197 anos do Ministério da Justiça , o titular da pasta, Sergio Moro, enfatizou a importância da instituição em comparação aos ocupantes do cargo. Em discurso realizado na Sala de Retratos, onde estão reunidas fotografias de todos os ministros da Justiça da história do Brasil, Moro manifestou curiosidade sobre que conselhos receberia de seus antecessores. Estava presente no evento o ex-ministro de Temer para Segurança Pública, Raul Jungmann.

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Perguntado sobre as acusações contra Sergio Moro, o ex-ministro de Temer  recomendou a perícia nos diálogos atribuídos a Moro e ao procurador da República Deltan Dallagnol. Segundo o material divulgado pelo site The Intercept, os dois combinaram o rumo das investigações contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva quando Moro era o juiz responsável pela Lava-Jato em Curitiba. Jungmann ressalvou que, na investigação sobre os fatos, devem ser respeitados o sigilo da fonte e o trabalho dos jornalistas.

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"Eu acredito que em algum momento seria interessante (periciar as conversas), desde que não viole o princípio do sigilo da fonte, desde que não viole tudo aquilo que é fundamental na nossa democracia, que é o respeito à imprensa e aos que fazem a imprensa. Sem isso não há democracia. Não há a menor possibilidade de avançar no processo democrático sem contar com a imprensa livre, independente e respeitada", disse.

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Depois do evento, questionado pela imprensa sobre as dificuldades enfrentadas por Moro , Jungmann disse que o ministro da Justiça não deveria deixar o cargo.

"Acho que ele tem que permanecer no cargo. Eu fui três vezes ministro. Esse foi o ministério mais difícil, mais duro, mais complexo e onde as pressões são as maiores. Quem vem pra cá sabe que a cadeira que você se senta às vezes se transforma em uma cadeira elétrica e tem que resistir. Não vejo motivo para o afastamento do ministro. Obviamente tudo tem que ser devidamente esclarecido, como tem que ser com todos, mas eu creio que o ministro tem vocação, tem biografia e tem disposição para exercer esse ministério para o bem da Justiça e da segurança pública", disse o ex-ministro de Temer .