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O ex-governador confirmou que recebeu propina do empresário Arthur César de Menezes Soares Filho e disse que doação foi feita a seu pedido

Eduardo Paes
Paula Johas/ PCRJ 02.10.2016
Eduardo Paes recebeu R$ 6 milhões via caixa dois, diz Cabral em depoimento

O ex-governador Sérgio Cabral afirmou nesta segunda-feira, em depoimento à Justiça Federal, que o empresário Arthur César de Menezes Soares Filho , conhecido como " Rei Arthur ", bancou parte da campanha de Eduardo Paes à Prefeitura do Rio em 2008 via caixa dois. O emedebista contou ao juiz Marcelo Bretas sobre a relação com o empresário e listou algumas campanhas nas quais recebeu ajuda financeira de Rei Arthur.

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 "Chegamos a 2008 e consegui convencê-lo (Arthur) a ser o maior doador do Eduardo Paes. Ele deu R$ 6 milhões na campanha do Eduardo", afirmou Cabral .

Cabral afirmou que houve um "ruído" entre o empresário e Paes por não ter havido uma compensação com contratos na prefeitura. Posteriormente, contou o emedebista, isso ocorreu:

"Ele (Arthur) acabou sendo atendido na área da Saúde e também no centro de controle da prefeitura, esse que está sempre na TV", contou.

O Ministério Público Federal ( MPF ) voltou ao tema no fim do depoimento, e Cabral deu mais esclarecimentos. Explicou os motivos pelos quais houve dificuldade em contratar as empresas de Rei Arthur na prefeitura:

"Muitos dos contratos da prefeitura eram com OSs (organizações sociais) e isso excluía o Arthur. Ele não trabalhava com OSs. Por isso que teve essa dificuldade até encontrar a solução no centro de monitoramento da prefeitura", disse. "Acabou que depois o Eduardo Paes deu essa contrapartida", completou.

Cabral afirmou que, entre valores dados via caixa dois a campanhas a seu pedido e propinas, recebeu R$ 30 milhões. O ex-governador disse que conheceu o empresário quando era presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), ainda no governo Marcelo Alencar, sem, no entanto, ter qualquer aproximação.

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Cabral afirmou ainda que Rei Arthur construiu uma relação muito próxima com Jonas Lopes, ex-chefe da Casa Civil do então governador Anthony Garotinho e ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ). O ex-governador afirmou que Jonas recebia propina nessa época.

Cabral contou que, quando concorreu e foi eleito para o Senado em 2002, o empresário o ajudou com R$ 1 milhão. A partir de então, a relação entre os dois ficou mais próxima. Em 2006, a ajuda para a campanha ao governo foi, também via caixa dois, entre R$ 5 milhões e R$ 6 milhões. Quando foi eleito, o emedebista afirmou que passou a ganhar uma propina mensal que variava de R$ 200 mil a R$ 300 mil. Os valores eram pagos em espécie e recolhidos na sede da empresa de Arthur, no Rio Comprido. Em 2009, esse pagamento tornou-se mais escasso, segundo Cabral