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Em sabatina, o diplomata Antonio Patriota disse apostar em uma agenda construtiva com a comunidade árabe durante o governo de Jair Bolsonaro

Ex-chanceler de Dilma Antonio de Aguiar Patriota
EBC/ Divulgação
Ex-chanceler de Dilma, Antonio de Aguiar Patriota, teve nome aprovado pelo Senado, para a embaixada no Egito

Ex-ministro das Relações Exteriores, tendo exercido o cargo de 2011 a agosto de 2013 na gestão de Dilma Rousseff, o diplomata Antonio de Aguiar Patriota recebeu o aval doSenado , nesta quarta-feira, para exercer o cargo de embaixador do Brasil na República Árabe do Egito e, cumulativamente, no Estado da Eritreia.

Apesar de ex-chanceler de Dilma , Patriota foi indicado ao cargo pelo presidente Jair Bolsonaro , e teve seu nome encaminhado para apreciação do Senado Federal. A indicação consta em publicação do Diário Oficial da União (DOU) de 23 de abril.

Sabatinado por mais de uma hora na Comissão de Relações Exteriores do Senado, na manhã desta quarta-feira, Patriota demonstrou tranquilidade ao responder às perguntas dos parlamentares. Ao fim da sessão, seu nome foi aprovado por unanimidade para assumir o cargo de embaixador no Egito . Durante os questionamentos, recebeu elogios da maior parte dos parlamentares.

Uma das principais dúvidas levantadas pelos senadores, no entanto, era sobre como vai ficar a relação do Brasil com países árabes, e especialmente com a Palestina, após a instalação do escritório diplomático brasileiro em Jerusalém pelo atual governo. Patriota classificou o assunto como "extremamente sensível", mas disse que a ideia do estabelecimento do escritório em Jerusalém "já foi absolvida como uma questão que não gerará problemas adicionais".

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O diplomata lembrou que um "fato desagradável", ocorrido antes mesmo de Bolsonaro tomar posse, foi o cancelamento da visita do então ministro Aloysio Nunes ao Egito, após o então presidente eleito admitir que pretendia transferir a embaixada do Brasil em Israel de Tel Aviv para Jerusalém. Na época, a informação oficial repassada pela Chancelaria egípcia é que a viagem precisaria ser adiada por problemas de agenda das autoridades do país.

"Foi um desconforto bilateral" disse. Ainda sobre a comunidade árabe, Patriota disse que vai apostar em numa agenda mais construtiva possível na esfera política e comercial. "Espero que a sensibilidade do tema seja um fator levado em consideração", afirmou.

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Além de ex-chanceler de Dilma , Antonio Patriota foi embaixador em Washington durante o governo Lula e chanceler de 2011 a agosto de 2013, quando deixou o cargo depois do episódio envolvendo a fuga do senador boliviano Roger Pinto Molina para o Brasil. Patriota também já foi representante permanente do Brasil na Organização das Nações Unidas (ONU) e embaixador nos Estados Unidos.