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Durante seminário em Brasília, o ministro das Relações Exteriores afirmou que o Brasil tem o papel fundamental de recompor a alma conservadora

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Arthur Max/MRE
Ernesto Araújo afirmou que globalismo ocorreu no momento em que o "comunismo tomou coração dos liberais"

 Deus em Davos. Com esta frase, o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, resumiu o papel do Brasil no combate ao chamado "globalismo " — expressão usada pelos movimentos de direita para se referir a instituições internacionais acusadas de interferir negativamente na soberania dos países e tentar apagar as tradições culturais nacionais. Durante um seminário nesta segunda-feira (10) sobre o tema, Araújo disse que o presidente Jair Bolsonaro fez algo inédito quando participou do fórum econômico mundial de Davos , na Suíça, em janeiro deste ano, ao mencionar Deus em seu discurso.

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"O Brasil tem um papel fundamental. Estamos entrando para tentar recuperar o coração da sociedade liberal e recompor a alma conservadora. É a preservação de um conceito profundo de dignidade humana. Alguém que se relaciona com Deus. Deus em Davos", disse  Ernesto Araújo a um auditório lotado, no Itamaraty.

O globalismo é largamente combatido por integrantes do governo Bolsonaro , principalmente pelos seguidores do filósofo Olavo de Carvalho , que afirma que os globalistas teriam promovido da contaminação ideológica da globalização por movimentos de esquerda, através do chamado “marxismo cultural”.

Encarregado de abrir o seminário que reuniu expoentes da direita nacional e internacional, Araújo afirmou que o globalismo ocorreu no momento em que o comunismo “tomou o coração dos liberais”. Para o ministro, tudo começou há cerca de cem anos, quando o filósofo Friedrich Nietzsche passou a propagar com ênfase o niilismo que, segundo destacou o chanceler, nada mais é do que a inexistência de Deus.

"O comunismo e o nazifascismo  dependem da morte de Deus e do fim do antropoteísmo (representação da divindade sob forma e atributos humanos). Ambos instalaram o antropocentrismo radical, como se estivessem libertando o homem", afirmou Ernesto Araújo.

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O chanceler destacou que economias liberais “ligadas à ordem divina” foram a espinha dorsal do Ocidente que permitiu vencer o nazifascismo e enfrentar o comunismo a partir de 1945, graças à fusão do conservadorismo com a fé cristã. Porém, ressaltou Araújo, após 1989,  “alguém achou que não precisava mais o conservadorismo nas democracias liberais”.

"Expulsaram Deus do lado liberal. Mas no corpo das democracias liberais, continuava a bater um coração conservador", disse.

Já o assessor para assuntos internacionais do Palácio do Planalto, Filipe Martins, deu a seguinte definição para globalismo: é a tentativa de instrumentalização política e ideológica da globalização, para empoderar um conjunto de burocratas não eleitos e os grupos de interesses que têm acesso a eles.

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"Não há apenas um projeto globalismo de uma única percepção. É um método de domínio e exercício do poder. As finalidades apontadas pelos globalistas são a paz e a prosperidade. Se olharmos o comunismo e o nazifascismo, eles também prometiam isso", afirmou Martins em resposta a Ernesto Araújo .