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Em viagem à região do Araguaia, presidente disse que atual Congresso tem 'interesse popular'; ao mesmo tempo, governo sofria derrotas na Câmara

Bolsonaro
Alan Santos/PR - 5.6.19
Bolsonaro afaga atual classe política e chama Maia de "irmão"

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) disse, nesta quarta-feira (5), que a Câmara de Deputados e o Senado foram tomados por uma classe política com um "espírito diferente", voltada para o interesse popular. Ele também acenou ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), a quem chamou de "aliado em vários projetos" e de "irmão."

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As declarações foram dadas no final da manhã durante viagem a Aragarça (GO), onde Bolsonaro esteve para o lançamento de um projeto de revitalização da Bacia do Araguaia. Enquanto isso, em Brasília, o governo sofria revezes em votações no Congresso.

O presidente afirmou que não é possível admitir que o país enfrente dificuldades econômicas tendo em vista sua extensão e potencialidades. Ele afirmou que a situação pode ser revertida com a população e políticos que "tomaram" as casas legislativas.

"Ninguém consegue admitir como pode um país tão grande, tão maravilhoso e tão rico como esse, bem como com um povo tão maravilhoso, viver em uma situação bastante difícil quando se fala em economia. Nós juntos temos como mudar o destino do Brasil. Esse 'nós' é o povo em primeiro lugar e, depois, a classe política que agora tomou a Câmara de Deputados e o Senado com o espírito diferente, voltando realmente para o interesse popular", disse.

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Depois, em conversa com jornalistas, o presidente voltou a elogiar o presidente da Câmara. Os dois já trocaram críticas publicamente. Em entrevista ao jornal O Globo , na segunda-feira (3), Maia disse que vê falta de uma "agenda para o Brasil" no governo Bolsonaro. "Rodrigo Maia é meu irmão. Está um pouquinho mais forte, mas é meu irmão", afirmou.

Enquanto Bolsonaro acenava ao parlamento, a Câmara aprovava uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), que tira poder do Executivo sobre Orçamento. Os deputados aprovaram o texto do Orçamento impositivo, que obriga o governo federal a executar as emendas das bancadas estaduais.

O plenário também aprovou outra proposta que  encurta o tempo de negociação do governo para votar Medidas Provisórias (MPs) no Congresso . Agora o texto retorna ao Senado, onde foi aprovada em 2011 com regras diferentes. Com o projeto aprovado, uma MP poderá deixar de ter efeito em 40 dias, na primeira fase de tramitação no Congresso, caso não seja aprovada em comissão especial.

Outro revés de Bolsonaro se deu na Comissão Mista de Orçamento (CMO), formada por deputados e senadores, que sem acordo adiou a votação do projeto que libera um crédito emergencial de R$ 248 bilhões para o governo.