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Duda Salebert afirmou que legenda se apropriou de sua luta para privilegiar outras candidaturas; ela terminou em 8º lugar, acumulando 351 mil votos

Duda Salabert
Arquivo pessoal
Duda Salabert foi a primeira candidata trans a disputar uma vaga no Senado

A primeira candidata transexual a uma vaga no Senado nas eleições de 2018, Duda Salabert, anunciou sua desfiliação do PSOL nessa segunda-feira (22). Na ocasião, ela ainda acusou o partido do que chamou de "transfobia estrutural". 

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Duda Salabert foi filiada ao PSOL por dois anos e disputou a cadeira no Senado por Minas Gerais, terminando em 8º lugar na disputa com 351 mil votos. Em uma nota publicada no Instagram, a candidata disse que o partido se apropriou da luta e da sua identidade trans para privilegiar outras candidaturas. 

"Deixo o PSOL por não concordar com a transfobia estrutural do partido. Enquanto mulher transexual, não posso endossar uma estrutura que se apropria da luta e da identidade trans para privilegiar figuras e candidaturas já privilegiadas. Deixo o PSOL por não concordar com a perspectiva antropocêntrica que estrutura o partido", escreveu. 

Ativista pelos direitos dos animais e ambientalista, Duda afirmou ainda que a legenda deixou a causa animal em segundo plano e que não concorda com algumas "diretrizes internas" do partido. De acordo com ela, a decisão ocorreu por conta da estrutura da sigla, e não pelas pessoas filiadas a ela. 

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Após a repercussão, o diretório do PSOL de Minas Gerais publicou uma nota nas redes sociais e lamentou a saída de Duda, afirmando que tem compromisso contra a LGBTfobia, machismo e racismo. Leia a nota na íntegra: 

"A luta por um mundo sem opressão é coletiva e isso nos exige humildade para reconhecer falhas e pedagogia para corrigi-las visto que estamos em constante evolução. Na busca por transformações sociais, em 2018 tivemos a honra de eleger as primeiras travestis e transexuais no legislativo brasileiro.

Em um país tão desigual e cruel, essa luta é mais que necessária. Agradecemos Duda Salabert por todo aprendizado durante o período em que esteve conosco na luta. No país onde a expectativa de vida de uma travesti é de 35 anos, sua luta é de grande importância para todos nós. Seguiremos com toda firmeza nas trincheiras contra Bolsonaro, e na luta pelo ecossocialismo pelo direito de todas as vidas e um mundo sem opressão.

Reafirmamos nosso compromisso na luta por um mundo sem machismo, rascismo, LGBT+fobia e a transfobia, e o enfrentamento dessas práticas seja no interior de nosso partido, ou em toda sociedade". 

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Duda Salabert ainda não informou se vai se filiar a outro partido, mas defendeu que, como mulher trans e em um contexto de "crise na democracia", ocupar a política não é uma escolha pra ela, e sim uma obrigação. "Colocar meu corpo político no centro do debate eleitoral é mais do que simbólico: é uma maneira de buscar alargar a democracia, a qual nunca foi sólida no país, sobretudo para o grupo social de que faço parte", escreveu.