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Fã de Olavo de Carvalho, Filipe Martins cita Jon Snow como exemplo de 'senso de dever'; ele usou as suas redes sociais para ligar a série à política

Jair Bolsonaro
Marcos Corrêa/PR
Assessor de Bolsonaro enxerga na série uma abordagem entre 'o pseudo-realismo maquiavélico e a falsa esperteza pragmática'

O assessor especial para assuntos internacionais do presidente Jair Bolsonaro , Filipe Martins resolveu usar as redes sociais neste fim de semana para dar lições políticas a partir dos personagens e do enredo da série Game of Thrones, cuja temporada final começou no domingo.

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Ex-aluno do ideólogo de direita Olavo de Carvalho, o assessor enxerga na série uma abordagem entre "o pseudo-realismo maquiavélico e a falsa esperteza pragmática". Para Martins, os personagens ambiciosos da série Game of Thrones , que buscam o poder a partir de métodos questionáveis, servem de exemplo por terminarem em ruína.

"A disputa pelo poder protagonizada por atores egoístas, preocupados com a maximização de seus ganhos, não conduziu a nenhuma espécie de equilíbrio, mas ao caos e à vulnerabilidade", avalia Martins.

Para Martins, a série do canal americano HBO mostra que "propósitos superiores e transcendentais são imprescindíveis para uma perspectiva real de poder e que, sem honra e senso de dever, nenhuma ação pode estender-se para além da vida do agente que a colocou em curso".

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As considerações políticas do assessor sobre o triunfo de "heróis" com "senso de dever", como Jon Snow, Daenerys Targaryen e Tyrion Lannister ocorrem no momento em que Bolsonaro enfrenta uma saia-justa na área internacional, por ter dito que “poderia perdoar, mas não esquecer” o extermínio de 6 milhões de judeus pelos nazistas.

Game of Thrones
Reprodução
Série Game of Thrones teve a sua última temporada ida ao ar neste domingo

A repercussão negativa da fala entre os israelenses levou o presidente a escrever uma carta pedindo desculpas à embaixada israelense no Brasil. “O perdão é algo pessoal, nunca num contexto histórico como no caso do Holocausto, onde milhões de inocentes foram mortos num cruel genocídio”, escreveu o presidente à embaixada.

Martins não diz em sua avaliação, se o "Clã Stark" teria um paralelo no governo Bolsonaro ou na atual base política do Congresso. Mas afirma que "Game of Thrones mostra que o aparente realismo de quem acredita que 'o poder se conquista através da astúcia e da traição, conserva-se através da mentira e do homicídio e perde-se pela lealdade e pela compaixão' não passa de uma ilusão com consequências perigosas".

A análise do assessor de Bolsonaro, dividida em oito postagens no Twitter , dividiu seus seguidores. Martins é criticado pelo elogio a Daenerys. "Isso mesmo pessoas com muito senso moral e valor, como Daenerys que queimou uma família viva por não aceitar se submeter a ela", diz um seguidor.

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Outro comentário defende o assessor de Bolsonaro: "Analogia perfeita com nossos dias atuais". Um terceiro seguidor não se conforma com os spoilers da série Game Of Thrones na análise do assessor palaciano: "Bom que já deu spoiler pra todo mundo. sacanagem."