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Ex-presidente foi questionado por duas horas, mas optou por se calar por orientação da defesa: "Ninguém é obrigado a depor num processo sigiloso"

Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva
Ricardo Stuckert
Lula teve mais um recurso negado e segue preso na sede da PF em Curitiba



O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficou calado ao prestar depoimento à Polícia Federal (PF) sobre casos que tramitam na Justiça Federal do Paraná. O petista seguiu orientação de seus advogados. Ele está preso na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba e, por isso, não precisou deixar o local para a oitiva.

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"Ninguém é obrigado a depor sobre um processo sigiloso, sobre documentos ocultos. E é isso que a defesa está buscando, a defesa está buscando exercer um direito, o direito de ter acesso a uma investigação antes que o ex-presidente venha prestar depoimentos", disse Cristiano Zanin Martin, advogado de Lula

"O ex-presidente é o maior interessado em esclarecer a verdade dos fatos, mas a defesa não pode abrir mão de uma garantia constitucional que é a de conhecer a íntegra do processo antes que ele vá prestar um depoimento", completou Zanin.

O ex-presidente  foi intimado a depor a respeito das acusações do seu ex-ministro Antonio Palocci  sobre repasses da empreiteira Odebrecht durante os oito anos de governo. Em depoimento no ano passado – dado após acordo de delação premiada – Palocci disse que repassou dinheiro vivo da Odebrecht ao petista em diversas oportunidades.

A oitiva estava marcada para o último dia 22, mas foi adiada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, por pedido da defesa de Lula. 

Fachin determinou um intervalo de no mínimo cinco dias úteis a partir do acesso aos documentos para o novo depoimento. Responsável pela defesa do petista, o advogado Cristiano Zanin Martins já havia entrado com pedido de acesso anteriormente, mas havia sido atendido. Entre as provas já documentadas que a defesa de Lula ainda não teve acesso está o acordo de leniência da Oderbrecht .

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Segundo Palocci,  Lula  recebeu R$ 30 mil, R$ 40 mil, R$ 50 mil e R$ 80 mil em espécie, além de R$ 50 mil por meio das caixas. Todos os repasses teriam acontecido em 2010, durante o governo de Dilma Rousseff.


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