Tamanho do texto

Juiz Marcelo Bretas aceitou a nova denúncia contra os ex-governadores feita pela Procuradoria-Geral da República ao Superior Tribunal de Justiça

Preso preventivamente desde novembro, Pezão se tornou réu em desdobramento da Operação Lava Jato
Tomaz Silva/ Agência Brasil
Preso preventivamente desde novembro, Pezão se tornou réu em desdobramento da Operação Lava Jato

O ex-governador do Rio de Janeiro Luiz Fernando Pezão e outros 14 suspeitos se tornaram réus em processo da Operação Lava Jato nesta sexta-feira (18). A denúncia foi aceita pelo juiz Marcelo Bretas, titular da 7ª Vara Criminal Federal, que é responsável pelo desdobramento da operação no estado.

Leia também: Ministro do STJ autoriza nova investigação contra Luiz Fernando Pezão

A nova investigação foi autorizada ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Félix Fischer no dia 19 de novembro, mesma data em que a a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, denunciou  Pezão  e os outros réus, mas foi mantida sob sigilo até o dia 8 de janeiro. Todas as acusações são sobre desvios de verbas em obras públicas no estado do Rio de Janeiro.

Dentre os outros réus acusados, estão o também ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral , os ex-secretários Affonso Henrique Monnerat e José Iran Peixoto e o ex-servidor público Luiz Carlos Vital Barroso. Marcelo Santos Amorim, sobrinho de Pezão, também foi denunciado.

Em entrevista coletiva na época da prisão do ex-governador, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, afirmou que a prisão do Pezão se deu antes mesmo do fim do mandato do governador porque havia "infrações criminosas muito graves" ocorrendo no Rio de Janeiro. Segundo ela, mesmo depois da prisão de outras tantas autoridades no Rio, o esquema criminoso no estado "não cessou".

"Um dos crimes em curso é o de organização criminosa, continua atuando e especialmente a lavagem de dinheiro. A lavagem é o crime que se pratica após a corrupção e que consiste em ocultar onde o dinheiro está. Pelas informações, continua a ser feito", disse a procuradora. 

Dodge reafirmou que o que chamou de "esquema criminoso" que atua no Rio se instalou "em diversas unidades públicas do estado". Segundo ela, "muitos já estão condenados e presos, mas percebeu-se que este esquema criminoso ainda não cessou".

Leia também: Witzel garante que a prisão de Pezão não vai afetar a transição de governo

"E é por essa razão, os infratores ainda praticarem esse crime, que chegou-se a necessidade de requerer prisão preventiva para a garantida da ordem pública", disse Dodge .

Segundo o Ministério Público Federal (MPF), Pezão não só fez parte do esquema de corrupção de Sérgio Cabral como também desenvolveu um mecanismo próprio de desvios quando seu antecessor deixou o poder. 

Também segundo o próprio MPF, há provas documentais do pagamento em espécie a Pezão de quase R$ 40 milhões, em valores de hoje, entre 2007 e 2015. De acordo com á PF, ele cobrava até 8% de propina dos contratos do governo em benefício próprio. De acordo com o MPF, o valor é incompatível com o patrimônio declarado pelo emedebista à Receita Federal.

Luiz Fernando Pezão está preso desde o dia 29 de novembro em uma cela especial do Batalhão da Polícia Militar, sob a acusação de ter recebido propina de até R$ 39 milhões. A  permanência do emedebista no presídio mesmo após o fim de seu mandato foi  autorizada pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli, atendendo a pedido da defesa do ex-governador.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.

    Notícias Recomendadas