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Grupo de membros da sigla aceitou convite do governo do país asiático para conhecer tecnologia de reconhecimento facial e desagradou parte da base

Viagem de grupo de parlamentares eleitos à China causou racha no PSL
Divulgação
Viagem de grupo de parlamentares eleitos à China causou racha no PSL

Uma viagem de um grupo de parlamentares eleitos para a China pode ter causado o primeiro grande racha no PSL após a eleição do presidente Jair Bolsonaro. O grupo formado pelos deputados eleitos Daniel Silveira, Tio Trutis, Felício Laterça, Bibo Nunes, Charlles Evangelista, Marcelo Freitas, Sargento Gurgel, Aline Sleutjes e Carla Zambelli, a senadora eleita Soraya Thronicke, todos do PSL, além da deputada estadual Delegada Sheila (PSL-MG), e de Luís Miranda, do DEM, aceitou um convite da embaixada chinesa e embarcou para Pequim nesta terça-feira (15).

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A bancada do partido pretende apresentar um projeto que determina a implementação de tecnologia de reconhecimento facial em locais públicos. Por isso, os parlamentares foram à China conhecer o sistema local. No entanto, a reação negativa de boa parte do eleitorado e até mesmo do "guru de Bolsonaro", Olavo de Carvalho, causou um desentendimento dentro do PSL .

"Esses camaradas são semianalfabetos", disse ele, que é tido como um dos maiores influenciadores da plataforma de Bolsonaro, em um vídeo publicado as redes sociais. O filósofo fez duras críticas ao regime chinês e a empresa Huawei, responsável pela tecnologia. "Vocês não tem ideia da tecnologia chinesa de controle comportamental? São um bando de caipiras", criticou.

O filósofo também fez questão de criticar o não posicionamento de Bolsonaro sobre a questão. "O executivo vai deixar esses caras irem para lá entregar o Brasil dessa maneira?", questionou Olavo, que ainda disse não ser guru "dessa porcaria".

As críticas de Olavo de Carvalho, que é bastante respeitado por uma parte significativa do eleitorado do PSL, reverberou nas redes sociais. Algumas horas após a publicação do vídeo, várias pessoas criticaram a comitiva através das redes sociais. "Vão pra China dar dinheiro para o regime comunista", disse um. "Estão iguaizinhos ao PT", comparou outro.

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NOTA DE ESCLARECIMENTO.

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Também pelas mídias sociais, e deputado eleito Charlles Evangelista se defendeu das acusações feitas por Olavo de Carvalho . De acordo com o parlamentar, o grupo foi à China apenas para conhecer a cultura local e se familiarizar com tecnologias, e não para importar nada. Ele ainda reiterou que a comitiva não fala nem pelo poder executivo e nem Brasil, uma vez que ainda não foram empossados.

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A confusão foi tanta que chegou à família Bolsonaro. O deputado fereral Eduardo, filho do presidente, falou sobre a investigação contra a Huawei em seu Twitter, sem citar o caso dos colegas de partido. "A prisão da chinesa Meng Wanzhou, presidente financeira da Huawei, que gerou o atrito entre China e EUA ocorreu porque autoridades americanas descobriram que os celulares vendidos pela Hauwei poderiam vazar informações para o governo chinês", escreveu o parlamentar.

De acordo com o presidente do PSL, Luciano Bivar, o presidente também está preocupado com a viagem dos parlamentares para a China. Em entrevista à jornalista Andreia Sadi, Bivar afirmou que Bolsonaro considerou que o grupo não teve "responsabilidade".

Bolsonaro foi bastante crítico ao governo chinês durante sua campanha e chegou a afirmar que o país asiático estaria "comprando o Brasil". A visita do então candidato à ilha de Taiwan também desagradou os líderes chineses. No entanto, após eleito, Bolsonaro desceu o tom e disse que pretende visitar Pequim. presidente da China, Xi Jinping enviou uma carta parabenizando Bolsonaro logo após a posse, em um aceno de paz entre os dois governos.

A gigante de tecnologia chinesa Huawei vem sendo acusada de espionagem comercial e internacional e já teve membros presos nos Estados Unidos, no Canadá e na Polônia. O fundador da empresa, Ren Zhengfei, negou todas as acusações. Entre os detidos está a filha dele, Meng Wanzhou, que foi presa no Canadá. Agora, mesmo sem querer, a empresa causou mais uma tensão política. Desta vez, dentro do PSL.


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