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De acordo com a PGR, as mensagens enviadas pela assessora do gabinete do senador 'corroboram' acusação de corrupção e lavagem de dinheiro; entenda

Senador Romero Jucá (PMDB-RR) teria consultado a Odebrecht e enviado rascunhos de MP à construtora
Marcos Oliveira/Agência Senado - 09.11.16
Senador Romero Jucá (PMDB-RR) teria consultado a Odebrecht e enviado rascunhos de MP à construtora

A Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que acrescentasse, à ação que leva o senador Romero Jucá (MDB-RR) ao banco dos réus, novos e-mails apresentados por delatores da Odebrecht. Isso porque as mensagens revelam que Jucá teria consultado a construtora antes de apresentar uma proposta ao Senado Federal. 

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De acordo com informações apuradas pela jornalista Andrea Sadi, da TV Globo , um dos e-mails apresentados pelos delatores mostra que a assessora do gabinete de Romero Jucá , em 2014, enviou à Odebrecht rascunhos de um texto legislativo que estava em discussão, antes mesmo dele ser apresentado aos demais senadores. 

A acusação envolve  Mariângela Fialek , que foi funcionária do gabinete do presidente nacional do MDB na época, mas que, desde maio de 2016, trabalha como subchefe de assuntos parlamentares da Secretaria de Governo da Presidência da República. O email em questão teria sido enviado pessoalmente por ela. 

Segundo a apuração da jornalista, a mensagem foi enviada à construtora no segundo semestre de 2014, quando o Congresso Nacional discutia a medida provisória 651, que interessava à empreiteira, pois trata de incentivos fiscais. 

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A partir desta troca de e-mails, então, é possível investigar se Jucá teria sido o articulador no Congresso Nacional de mudanças na legislação, a fim de beneficiar a empresa. Essa atuação do senador teria sido paga, segundo a PGR, por uma doação de R$ 150 mil. O valor foi dado pela Odebrecht em apoio à campanha eleitoral do filho do parlamentar de Roraima, também em 2014.

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Diante das acusações, Romero Jucá nega qualquer ato de ilegalidade e reitera que "tentam envolver seu nome em um esquema que está sendo propagado por dois delatores que não apresentam nada além de e-mails trocados entre eles".  Denunciado pela PGR por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, o presidente nacional do MDB se tornou réu em março, por conta desta acusação.

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