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Presidente eleito disse que inquérito contra seu futuro ministro compete ao Judiciário e minimizou situação ao compará-la com ação por injúria no STF

Paulo Guedes foi nomeado para ser 'superministro' da Economia no governo Jair Bolsonaro (PSL)
Marcello Casal jr/Agência Brasil - 6.11.18
Paulo Guedes foi nomeado para ser 'superministro' da Economia no governo Jair Bolsonaro (PSL)

O presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL) disse neste sábado (1º) que "desconhece qualquer investigação contra Paulo Guedes", seu futuro 'superministro' da Economia que acaba de se tornar alvo de inquérito da Polícia Federal . " Eu integro o Poder Legislativo e integrarei o Executivo. Isso compete ao Judiciário", esquivou-se o presidente.

Após participar da cerimônia de formatura de aspirantes a oficial na Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), Bolsonaro comparou a investigação contra Paulo Guedes ao  processo aberto contra ele no Supremo Tribunal Federal (STF) por suposta apologia ao crime de estupro e injúria. 

"Eu sou réu no Supremo Tribunal Federal. E daí? Todo mundo que eu converso, sendo amigo ou não, diz que é uma coisa que beira o absurdo. Eu estava defendendo uma mulher, vítima de estupro. E eu defendi uma condenação para o estuprador. O outro lado defendia que o estuprador deveria ser tratado como um garotinho que apenas abusou por cinco dias e matou uma menina de 16 anos de idade. E eu acabei sendo réu. É justo isso? O povo entendeu que não, tanto é que votou em mim", disse.

A abertura do inquérito contra Paulo Guedes pela PF atendeu a pedido do Ministério Público Federal (MPF), que  já apurava crimes de gestão temerária ou fraudulenta de investimentos de recursos de fundos de pensão supostamente praticados pelo economista.

Essa investigação apura se ele obteve "benefícios econômicos" por meio de supostas fraudes envolvendo o FIP Brasil de Governança Participativa. Esse fundo de investimento é controlado pelo economista de Bolsonaro e teria recebido, de maneira irregular, aportes de fundos de pensão de estatais como Previ (Banco do Brasil), Petros (Petrobras), Funcef (Caixa) e Postalis (Correios).

A FIP Brasil captou um total de R$ 1 bilhão junto a esses fundos de pensão, mediante a venda de cotas de investimentos, no período entre 2009 e 2013. Segundo as informações prestadas pela Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc) ao MPF, os servidores aposentados que têm dinheiro nesses fundos de pensão acabaram perdendo dinheiro devido aos investimentos escolhidos pela FIP.

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Em nota, a defesa de Guedes informou que “reafirma a lisura de todas as operações do fundo que, diga-se de passagem, deu lucro aos cotistas, incluindo os fundos de pensão”. “Espera também que a investigação – agora corretamente conduzida no âmbito da Polícia Federal – apure as incoerências do relatório irregular produzido na Previc”, afirmou. Além do futuro ministro de Bolsonaro , os administradores das entidades de previdência complementar também são alvo da investigação.

*Com reportagem da Agência Brasil

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