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Thomas Shannon disse não considerar "boa ideia" uma eventual intervenção armada na Venezuela; ele afirmou ainda que o futuro ministro da Justiça, Sérgio Moro, é bem visto fora do Brasil; veja detalhes da entrevista à BBC

Ex-embaixador dos EUA no Brasil Thomas Shannon defendeu a entrada do Brasil na Otan, durante o governo Bolsonaro
Alan Sampaio
Ex-embaixador dos EUA no Brasil Thomas Shannon defendeu a entrada do Brasil na Otan, durante o governo Bolsonaro

O ex-embaixador dos Estados Unidos no Brasil Thomas Shannon defendeu a entrada do País na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). De acordo com o diplomata, o momento ideal para isso acontecer seria durante o futuro governo Bolsonaro, pois, com o Brasil na Otan, o País teria a oportunidade de se envolver em questões de segurança nacional e global. 

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"Isso [o Brasil na Otan ] traria ao Brasil uma oportunidade para se envolver e trabalhar diretamente não apenas em questões militares e das forças armadas, mas em tudo que for ligado a segurança nacional e segurança global", disse Shannon. "Então é uma ideia interessante, acho que sublinha a criatividade que existe em parte da equipe que o presidente eleito reuniu e vamos ver qual será a resposta".  

Nomeado embaixador no Brasil pelo ex-presidente Barack Obama em 2009, Shannon assumiu o cargo até setembro de 2013, quando foi substituído por Liliana Ayalde. Em entrevista à BBC , publicada nesta quinta-feira (1º), o diplomata defendeu que o Brasil se candidate como "membro-afiliado" da organização.

"O lado importante de se alinhar com os países da Otan é que esta é provavelmente o principal arranjo coletivo de segurança no mundo e liga algumas das forças armadas mais capazes e inovadoras do mundo", disse Shannon. Perguntado quanto ao apoio da atual administração dos EUA à associação do Brasil na aliança, Thomas Shannon foi esperançoso. "Eu torço para que sim", declarou.

Ainda nesta entrevista, Shannon elogiou o futuro ministro da Justiça e Segurança Pública, o juiz federal Sérgio Moro , afirmando que "Moro é profundamente respeitado fora do Brasil e é alguém que seria recebido muito positivamente".

Porém, declarou que não está por dentro das nomeações de gabinete e, acima de tudo, acha "que isso é algo que o presidente precisa ser capaz de fazer com algum nível de tranquilidade e sem os comentários especialmente de quem não é brasileiro".

Na mesma entrevista, Shannon considerou que a Venezuela dominará a agenda de cooperação entre EUA e Brasil. Ele, porém, disse não apoiar a ideia já ventilada por Donald Trump e pelo secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro em invadir Caracas e forçar a mudança de Regime. "Essa é uma pergunta que você vai precisar fazer ao presidente eleito e à sua equipe. Mas uma intervenção militar na América do Sul é algo que não acontece há muito, muito tempo. Não é uma boa ideia".

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Se o Brasil coonseguir o que propõe o ex-embaixador, se tornará o segundo país latino a se juntar à Aliança. Logo após a notícia ir ao ar, o termo Brasil na Otan entrou nos assuntos mais comentados no País. 

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