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Requerimento foi aprovado por unanimidade na 2ª Turma; na gravação, homem diz que TSE sofrerá consequências se aceitar ação contra Bolsonaro

Em vídeo, coronel Carlos Alves, apoiador de Bolsonaro, ofende Rosa Weber e ameaça o Supremo Tribunal Federal
Reprodução
Em vídeo, coronel Carlos Alves, apoiador de Bolsonaro, ofende Rosa Weber e ameaça o Supremo Tribunal Federal

A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) mandou nesta terça-feira (23) um pedido de investigação para a Procuradoria-Geral da República (PGR) contra usuário da internet, identificado com coronel Carlos Alves, que publicou um vídeo nas redes sociais criticando a presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) , Rosa Weber, e outros ministros do Supremo. 

A medida foi tomada após os integrantes do colegiado rebaterem o vídeo, divulgado na segunda-feira (22), no qual o coronel Carlos Alves , apoiador do candidato Jair Bolsonaro (PSL), se refere a Rosa Weber como "salafrária e corrupta”, critica outros integrantes do STF e afirma que a corte sofrerá consequência caso decida impugnar a candidatura de Bolsonaro por conta das denúncia de caixa dois.

Em discurso feito na abertura da sessão da Segunda Turma do STF, o ministro Celso de Mello foi o primeiro a rebater as críticas aos ministros. O ministro prestou solidariedade a Rosa Weber e aos ministros Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli, que também foram citados, e disse que eles foram alvo de "ataques imundos e sórdidos".

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"O primarismo vociferante desse ofensor da honra alheia fez-me lembrar daqueles personagens patéticos que, privados da capacidade de pensar com inteligência, optam por manifestar ódio visceral e demonstram intolerância radical contra os que consideram seus inimigos. Todo esse quadro imundo que resulta do vídeo , que longe de traduzir expressão legítima da liberdade de palavras, constitui verdadeiro corpo de delito comprobatório da infâmia perpetrada pelo autor", afirmou Mello.

Em seguida, o ministro Gilmar Mendes disse que o Brasil passa por um momento delicado nas eleições e que é preciso serenidade. Mendes também rebateu as críticas contra a credibilidade das urnas eletrônicas. Para o ministro, as urnas são confiáveis e não se deve tumultuar o processo eleitoral.

"É preciso encerrar [essa questão] porque se trata de vilipêndio, um crime contra a democracia no Brasil", declarou.

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A ministra Cármen Lúcia também defendeu os colegas da Corte. "Tudo que atinge um de nós, atinge todo o tribunal como instituição, que é muito mais importante do que cada um, mas, principalmente, preserva pela atuação ética, correta e honesta e séria de cada juiz desta Casa", afirmou sobre o vídeo do coronel Carlos Alves .