Tamanho do texto

Deputado do DEM publicou mensagem nas redes sociais com informações falsas sobre a vereadora assassinada na semana passada no Rio de Janeiro

Partido alega ainda que Fraga não se mostrou arrependido de ter espalhado informações falsas sobre Marielle Franco
Alex Ferreira / Câmara dos Deputados
Partido alega ainda que Fraga não se mostrou arrependido de ter espalhado informações falsas sobre Marielle Franco

O Psol entrou com uma representação no Conselho de Ética da Câmara nesta quarta-feira (21) contra o deputado Alberto Fraga (DEM-DF). O  partido pede a cassação do mandato parlamentar por ele ter publicado fake news sobre a vereadora Marielle Franco (PSOL), assassinada no Rio de Janeiro.

Segundo o documento apresentado pelo Psol, após a morte de Marielle Franco , Fraga fez uma publicação no Twitter afirmando que a vereadora assassinada engravidou aos 16 anos, foi casada com o traficante Marcelinho VP, era usuária de drogas e teria sido eleita com o apoio do Comando Vermelho. Diante da grande repercussão negativa, o deputado excluiu a publicação, mas prints da declaração continuaram circulando na internet.

Na representação, o partido alega ainda que Fraga, em entrevista a uma emissora de TV, não se mostrou arrependido de ter espalhado informações falsas sobre a vereadora. “O deputado disse que recebeu as informações pelas redes sociais, não apurou a veracidade do conteúdo, mas que não se arrepende de tê-la feito”, diz o texto.

Fake News sobre Marielle

O Psol também entrou com representação no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) contra a desembargadora Marilia Castro Neves, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ). A magistrada se tornou pivô de polêmica ao publicar em suas redes sociais um texto acusando a vereadora, assassinada na noite da última quarta-feira (14), de ser "engajada com bandidos".

Leia também: Quase metade das câmeras no trajeto por onde Marielle passou não funcionavam

Na publicação, que acabou excluída do Facebook após a repercussão e de uma enxurrada de críticas, a desembargadora atribui a morte de Marielle ao "comportamento" da vereadora – supostamente eleita com o apoio da facção criminosa Comando Vermelho , segundo escreveu Castro Neves. A magistrada do TJ-RJ disse ainda que a esquerda tenta "agregar valor a um cadáver tão comum quanto qualquer outro".

"A tal Marielle não era apenas uma ‘lutadora’, ela estava engajada com bandidos! Foi eleita pelo Comando Vermelho e descumpriu ‘compromissos’ assumidos com seus apoiadores. Ela, mais do que qualquer outra pessoa ‘longe da favela’ sabe como são cobradas as dívidas pelos grupos entre os quais ela transacionava”, dizia o texto publicado pela desembargadora.

Em nota, o Psol diz que o texto da magistrada é "absolutamente irresponsável". "A desembargadora entrou na 'narrativa' que vem sido feita nas redes sociais para desconstruir a imagem de Marielle, d o Psol  e da luta pelos direitos humanos", lamenta a legenda.

Leia também: CNJ abre processo contra desembargadora que difamou Marielle

Marcinho VP

O partido também desmentiu outra história que circulou em redes de trocas de mensagem acusando Marielle de ter sido casada com o traficante Marcinho VP (Márcio Amaro de Oliveira) – que comandou a venda de drogas no morro Santa Marta, na zona sul do Rio, e acabou morto em 2003.

O texto afirmava que Marielle Franco chegou a ter um filho com o criminoso aos 16 anos de idade e até mesmo exibia uma suposta foto do casal – que era falsa e não retratava nenhum dos dois.