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Se condenado, Lula pode ficar fora da disputa presidencial; petista, que lidera nas pesquisas, teve a condenação mantida pelo relator do processo

Juiz Sérgio Moro condenou ex-presidente Lula por crimes de corrupção e lavagem no caso tríplex da Lava Jato
Marcos Oliveira/Agência Senado - 29.8.16
Juiz Sérgio Moro condenou ex-presidente Lula por crimes de corrupção e lavagem no caso tríplex da Lava Jato

Enquanto os desembargadores do recurso do ex-presidente Lula no TRF-4, em longas falas, decidiam manter a condenação ao líder petista no caso envolvendo o tríplex no Guarujá, autoridades do Brasil e de outros países se manifestavam sobre o julgamento.

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Cristina Kirchner , ex-presidente da Argentina (2007-2015), postou uma foto de Lula em suas redes sociais. Ela escreveu que acompanha o ex-presidente e o povo brasileiro e acrescentou a legenda “#JusticiaPorLula”.

Conterrâneo de Kirchner, o ex-jogador Diego Maradona também demonstrou apoio ao ex-presidente. Também nas redes sociais, ele postou uma foto empunhando uma camisa da seleção brasileira com o nome do líder petista. Na legenda, escreveu “Lula, querido, Diego está contigo”.

Outro ex-presidente sul-americano, o uruguaio José Mujica , opinou, em entrevista à agência de notícias Sputinik divulgada hoje, sobre os significados do julgamento no TRF-4. "Não é um problema contra Lula, mas sim contra o que ele representa e o que pode tentar reproduzir em uma função governativa”, disse.

“Não podemos separar isso do que aconteceu no Brasil com o golpe de estado de natureza parlamentar [contra Dilma Rousseff], com um congresso questionado", acrescentou Mujica.

A ex-ministra da Justiça da Alemanha, Herta Däubler-Gmelin, por sua vez, escreveu em artigo veiculado nesta manhã no periódico El Pais que “a confirmação da sentença não prejudicaria apenas a credibilidade e eficácia do combate à corrupção, mas ao mesmo tempo revelaria a inexistência do Estado de Direito no Brasil”.

No Brasil, o apoio ao ex-presidente não foi tão unânime. Marina Silva, possível candidata à presidência da República neste ano, afirmou, em nota emitida por seu partido (Rede), que “irá respeitar o resultado do julgamento” e que “tem manifestado apoio às investigações da operação Lava Jato por entender que são necessárias para o aprimoramento da democracia no Brasil”.

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Outro cotado para disputar o Planalto, Jair Bolsonaro (PSL), elogiou o aumento da pena determinado pelo relator do processo no TRF-4. Ele postou uma foto nas redes sociais em que aparece na frente de uma TV transmitindo o julgamento. “Falta pouco...”, escreveu Bolsonaro na legenda.

Já Manuela D´Ávila, pré-candidata à presidência da República pelo PCdoB, disse ao jornal português Diário de Notícias que ela e seu partido têm “muito claro que o que há em torno dele [Lula] é uma verdadeira perseguição, porque não existem provas apresentadas no processo. Esta judiciarização da política no Brasil ameaça hoje o Lula e amanhã pode ameaçar qualquer um que não sirva o monopólio mediático e o mercado financeiro”.

Seu correligionário, o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), que também já atuou como juiz federal, criticou a condução do processo. “A condenação do ex-presidente Lula é integralmente equivocada, à luz das leis em vigor. A parte sobre lavagem de dinheiro é ainda mais absurda e realmente não creio que será mantida, mesmo no pior cenário”, avaliou o governador.

A presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, foi dura com o relator Gebran neto. Na opinião dela, ele passou horas “defendendo Moro, seu amigo”. Para Gleise, o momento é de "radicalização total do povo brasileiro".

Outro petista, Eduardo Suplicy escreveu nas redes sociais que “ninguém pode ser condenado sem provas. Hoje é o presidente Lula, amanhã pode ser qualquer um de nós”.

Em Davos, o presidente Temer (MDB) diminuiu o impacto político e econômico do julgamento. “É vida normal”, disse à Folha de S.Paulo , sobre as turbulências que a sentença possa causar no mercado e no lugar ocupado pelo Brasil no cenário internacional.

A antecessora de Temer, Dilma Rousseff tem opinião aposta à de seu ex-colega de chapa. Para ela, “perseguir o ex-presidente na frente de toda a imprensa internacional, de todos os governos que estão vendo como nós a perseguição” deteriora a imagem do país. “O mundo está vendo um país em que a justiça não é neutra”, escreveu Dilma em suas redes sociais sobre o julgamento.

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