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Ex-presidente garante que, se Lula for condenado amanhã, partido se mobilizará como nunca; petista nega, porém, que atos serão violentos

A ex-presidente Dilma Rousseff disse que o golpe que acredita estar em vigor no País começou com seu impeachment
Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
A ex-presidente Dilma Rousseff disse que o golpe que acredita estar em vigor no País começou com seu impeachment

A presidente cassada Dilma Rousseff (PT) se transformou, nas últimas semanas, em uma militante empenhada. Encabeçando, ao lado da presidente nacional do partido, a senadora Gleise Hoffmann, uma campanha a favor do ex-presidente Lula, Dilma, que geralmente é pouco afeita a entrevistas, decidiu falar à imprensa – e não falou pouco.

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Em uma das entrevistas marcadas para essa semana, Dilma Rousseff garantiu ao jornal El País que o PT não possui um plano B para a eleição presidencial de outubro, justamente porque isso seria 'fazer o que eles [políticos da oposição] querem'.

"Para que querem que nós tenhamos um plano B? Se tivermos um plano B estamos fazendo o trabalho que eles querem por eles", afirmou. "Por que vamos tirar o Lula do pleito por uma acusação da qual achamos que ele é inocente? Para ganhar a eleição? Que eleição que importa alienar um líder do tamanho do Lula por uma acusação? Que covardia é essa? Para gáudio dos golpistas, dessa direita e dessa oligarquia atrasada do país?", prossegue.

"Os que querem o plano B são os mesmos que queriam que eu renunciasse. E por que eles queriam isso? Por que tinham alguma consideração por mim? Não! Porque eu impediria um striptease político de um golpe claramente feito", comparou.

Ao jornal, a ex-presidente também diz acreditar que a sentença de nove anos proferida pelo juiz Sérgio Moro contra Lula possa ser revertida na segunda instância, no julgamento no TRF-4, amanhã. Porém, já pensa no que fazer caso o petista seja condenado.

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"Se ele for condenado, vamos usar todos os instrumentos jurídicos que estão à nossa disposição. Vamos fazer todas as mobilizações de que somos capazes. Mas não acho que isso se traduzirá em atos agressivos e violentos", acredita ela, se recusando a alimentar a preocupação que circula pelo País de uma revolta pelo resultado.

Raio-x do golpe

Nesta segunda-feira (22), durante o ato internacional de apoio ao direito de Lula se candidato, em Porto Alegre, a ex-presidente formulou ainda um 'raio-x do golpe', afirmando ele se deu "em três atos": teve início com seu impeachment, há quase 17 meses, e terminaria com o afastamento de Lula das eleições.

“O golpe não é um ato único. O ato inaugural foi o impeachment. Criminalizou-se a política fiscal do meu governo, chamando nosso modelo anticíclico contra a crise de ‘gastança’", começou.

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"Depois, quando tomaram o poder, imprimiram um projeto completamente neoliberal que havia sido derrotado por quatro vezes consecutivas nas urnas", continuou. "Finalmente, agora, com o uso do lawfare, utilizando processos jurídicos para vencer o inimigo, querem tirar Lula do processo eleitoral, porque sabem que não produziram nenhum candidato para concorrer com Lula”, resumiu Dilma Rousseff, que continua militando durante a semana.

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