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Diretor-geral da corporação atendeu a um pedido feito pelo ministro da Justiça, Torquato Jardim, que antes cogitava efetuar troca no comando da PF

Leandro Daiello está à frente da Polícia Federal desde 2011, primeiro ano do governo Dilma Rousseff
Elza Fiuza/Agência Brasil - 1.8.2016
Leandro Daiello está à frente da Polícia Federal desde 2011, primeiro ano do governo Dilma Rousseff

Após rumores de que seriam realizadas trocas no seu alto escalão, a Polícia Federal confirmou que o atual diretor-geral da corporação, Leandro Daiello, permanecerá no cargo.  Daiello recebeu um pedido do ministro da Justiça, Torquato Jardim, para que adiasse sua aposentadoria e permanecesse à frente da instituição e aceitou a solicitação.

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A informação foi confirmada neste sábado (16) pela PF ao jornal "O Globo". Antes de decidir pela permanência de Daiello no comando da Polícia Federal , Torquato Jardim já deu declarações à imprensa admitindo que poderia efetuar trocas no alto escalão da corporação, que ganhou destaque nos últimos anos em razão das investigações no âmbito da Operação Lava Jato.

Na sexta-feira (15), o jornal "O Estado de S.Paulo" entrevistou o ministro Torquato Jardim, que revelou que havia feito o convite a Daiello. Jardim afirmou que o diretor-geral da PF permanecerá no cargo pelo "tempo que for necessário" para que possa continuar o trabalho à frente da instituição.

Daiello comanda a PF desde janeiro 2011, quando teve início o primeiro mandato da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Antes dele, a instituição era comandada por Luiz Fernando Correia, que assumiu o cargo em setembro de 2007, no primeiro ano do segundo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, também do PT.

Em maio deste ano, quanto Torquato Jardim assumiu o ministério da Justiça no lugar do deputado Osmar Serraglio, houve apreensão de que pudesse haver um enfraquecimento da Lava Jato. Isso porque o jurista, antes de ser nomeado para o cargo, já havia feito uma série de críticas públicas à operação . Em junho, chegou-se a cogitar o nome do delegado Rogério Galloro para o comando da PF , por ser visto com um perfil mais adaptado ao ambiente político.

Grupo de trabalho em Curitiba

Em julho, a PF anunciou o encerramento do grupo de trabalho da corporação responsável pela Lava Jato em Curitiba . Com a decisão, os policiais destacados deixarão de atuar exclusivamente na operação, passando a participar de outras investigações na Delecor (Delegacia de Combate à Corrupção e Desvio de Verbas Públicas).

De acordo com a Polícia Federal, “a medida visa priorizar ainda mais as investigações de maior potencial de dano ao erário, uma vez que permite o aumento do efetivo especializado no combate à corrupção e lavagem de dinheiro e facilita o intercâmbio de informações” e assegura que “com a nova sistemática de trabalho, nenhum dos delegados atuantes na Lava Jato terá aumento de carga de trabalho, mas, ao contrário, ela será reduzida em função da incorporação de novas autoridades policiais”.